terça-feira, 7 de maio de 2013

qualidade do tempo com os filhos importa mais que número de horas

Qualidade do tempo com os filhos
importa mais que número de horas
EDUCAÇÃO — Psicopedagoga ressalta que a função de educar os filhos cabe à família e não à escola




A permanência de crianças menores de sete anos em período integral nas escolas encontra defensores e críticos. Por um lado defende-se a idéia de que a criança se desenvolve mais rápido quando ingressa precocemente na escola, devido ao convívio social mais intenso e à existência de regras. De outro, critica-se a falta que a presença dos pais faz na formação emocional e intelectual da criança que passa o dia todo fora de casa.
O fato da criança passar o dia em uma escola, porém, não significa que ela vai se desenvolver mais rápido, nem tampouco que terá seu equilíbrio emocional prejudicado.
O que vai determinar o desenvolvimento sadio da criança, segundo a psicopedagoga Valdeisa Kremer Scudeler, é o tratamento dispensado a ela durante o tempo que fica com os pais em casa. Na realidade, pouco importa se a criança fica o dia todo ou apenas duas horas com os pais. “O importante é a qualidade desse tempo”, afirma Valdeisa.
Como exemplo, a psicopedagoga cita uma situação bastante comum: uma mãe que é dona-de-casa e pode ficar o dia todo com a criança sem, porém, dar a ela a devida atenção. “Se ela não tem uma ajudante e passa o dia todo fazendo o serviço de casa, deixa a criança vendo televisão e ainda reclama quando é solicitada pelo filho, que ganho essa criança tem por estar com a mãe?”, avalia. Nesse caso, a permanência em casa pode até ser prejudicial. “Se a mãe grita com a criança porque está ocupada e não tem tempo, seria melhor que o filho estivesse na escola brincando”, explica.
E pode ocorrer de pais que têm apenas uma ou duas horas por dia disponíveis para ficar com os filhos dedicarem uma atenção tão exclusiva às crianças nesse período que elas nem mesmo chegam a se queixar de sua ausência prolongada. “Uma mãe que trabalha, acorda cedo para levar o filho à escola, troca a roupa dessa criança com carinho, faz pelo menos uma visita na hora do almoço e conversa bastante com ela no final da tarde, está dedicando um tempo de qualidade”, afirma.
Passar um tempo “de qualidade” com o filho, segundo Valdeisa, é conversar com a criança, interessar-se pelo que ela conta e brincar com ela quando for solicitado. “Se a criança passou o dia todo na escola deve ter inúmeras coisas para contar. Os pais têm que escutar”, avisa.
Para isso não é necessário que os pais fiquem exaustos após um dia de trabalho. “Não tem que ficar com a criança até meia-noite. Ela precisa dormir cedo”, diz. “E a criança precisa de um tempo para brincar. Não adianta lotar o filho de atividades. As brincadeiras espontâneas são muito importantes para o desenvolvimento psicológico da criança”, ressalta.
O principal erro dos pais, segundo Valdeisa, é colocar os filhos na escola — cedo ou tarde — com o intuito de delegar às professoras uma função que é exclusiva da família: a educação. “A escola colabora na função de educar. Ela ajuda a ensinar a criança a dividir, a conviver com outros. Mas os pais precisam ter consciência de que filho se educa em casa”, afirma.
A psicopedagoga explica que se o filho não tiver que seguir regras em casa, terá dificuldades para seguir regras na escola. “Ele pode até se comportar melhor na escola, porque o grau de tolerância nesse ambiente é menor. Pai e mãe costumam ceder muito às crianças”, diz.
Valdeisa orienta os pais a observarem, na hora de matricular os filhos em escolas, se o estabelecimento está pronto para atender as prioridades da criança nessa faixa etária. “Crianças de diferentes idades têm necessidades diferentes. É preciso constatar se a escola tem profissionais capacitados para atender essas necessidades”, diz.
Outro fator importante a ser levado em conta é a expectativa dos pais em relação ao aprendizado do filho. “Os pais devem avaliar se a escola tem uma proposta de trabalho e se está de acordo com o que querem para seu filho”, explica.
Emocional — A falta da qualidade no tempo dedicado aos filhos é origem de muitos dos problemas familiares.
Segundo Valdeisa, a criança até um ano e meio de idade é naturalmente egocêntrica — ela se coloca como o “centro do mundo”. “Os pais que são emocionalmente equilibrados vão conseguir reverter esse quadro. A situação só é preocupante quando, por volta dos três, quatro anos, a criança não obedece regra nenhuma”, diz.
Geralmente os pais costumam encontrar “desculpas” para o comportamento do filho. Se a criança fica na escola o dia todo, os pais acham que age dessa forma devido à sua ausência. Se a criança não vai à escola, os pais tendem a achar que a matrícula do filho pode resolver o problema. O que ocorre, porém, é uma falha na educação em casa. “À medida em que os pais cedem às chantagens dos filhos, os problemas aparecem”, explica.
A psicopedagoga conta que os pais que passam pouco tempo com seus filhos — principamente as mães — costumam relatar um grande sentimento de culpa. E para compensar esse sentimento, acabam tolerando todas as atitudes do filho. Uma boa maneira de se impôr regras, segundo Valdeisa, é estabelecer contratos com a criança — o “combinar”. “A criança é capaz de entender um contrato. O importante é os adultos cumprirem sempre o que ficou combinado, para que a criança confie”, diz. Uma criança que chora muito ao ver a mãe sair para o trabalho, por exemplo, pode sentir-se melhor se “ficar combinado” que no final da tarde a atenção materna será exclusivamente dedicada à ela.
A psicopedagoga, porém, chama a atenção para a diferença entre “combinar” e “negociar” — oferecer presentes em troca de comportamentos adeqüados. “Não se negocia com criança. Ela precisa aprender que existem regras a serem seguidas independente de premiação. Se hoje você dá uma bicicleta porque seu filho foi bem na escola, quando crescer ele vai querer um prêmio. Só que aí vai ser um carro e talvez você não tenha condições de dar isso a ele”, avisa.

Texto: retirado da uol/educação/D-Mulher


 

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