quarta-feira, 12 de junho de 2013

E se algo der errado? (em busca da perfeição)

E SE ALGO DER ERRADO? (em busca da perfeição)
     O esforço para ser impecável, mantendo tudo sob controle – e assim, ilusoriamente, dissipar o fantasma da insatisfação – pode tanto contribuir para o sucesso quanto a levar à angustia; porém, nem sempre nos damos conta de que a forma como  vivemos as experiências pode ser mais significativas que as situações em si.
     Pesquisam mostram que as pessoas tendem a se desencorajar por não atender a padrões muitos altos, tornando-se relutantes em assumir novos desafios ou até mesmo completar tarefas. Na prática, o excesso de autocobrança costuma produzir ineficiência, causar atrasos, dificuldades de cumprir prazos, sobrecarga de trabalho e até mesmo resultados medíocres, em comparação ao que poderia produzir se a tranquilidade fosse mantida. A busca constante pela excelência pode ainda prejudicar relacionamentos e até fazer mal a saúde. O comportamento tem sido associado a anorexia, distúrbio obsessivo-compulsivo, ansiedade social, bloqueio de escritor, alcoolismo e depressão. Mas, como tudo tem os dois lados, o perfeccionismo tem suas características positivas, como inclinação para planejamento, organização e capacidade de manter o foco -, que fazem esse aspecto muitas vezes ser exaltado pelos pretendentes a uma vaga de emprego durante entrevistas de seleção.
     O mal do perfeccionista, é que ele busca desesperadamente atingir um objetivo e acertar, só que, tomando como parâmetro um referencial alheio, e medir o seu próprio valor inteiramente em termos de produtividade  e realização, comparando-se com outras pessoas,  sem se voltar para os próprios desejos, histórias e condições em dado momento.
     Depois de um contratempo ou uma decepção, pessoas que exigem excessivamente de si mesmas costumam ser mais vulneráveis a mudanças de humor e perda de auto-estima.
     Constroem padrões de comportamentos muitas vezes ineficazes que prejudicam seu real desempenho e trabalham mais lentamente, sofrendo para definir cada detalhe.
     Deferentemente do que muitos imaginam, ninguém é perfeccionista em todas as situações ou áreas da vida. Algumas pessoas são muito exigentes a respeito da limpeza da casa, outras se concentram no trabalho ou na aparência física, por exemplo.
     Estudos revelam que os perfeccionistas, quando estão com muita pressão, seja por estarem sendo avaliados ou comparados com outras pessoas, perdem cada vez mais a auto-confiança, evitando assim novos desafios e abaixando o nível dos resultados de seus trabalhos, por temerem crítica, evitando a oportunidade de ter um feedbeck e, consequentemente, procuram se expor o mínimo possível.
     Antes que o perfeccionismo se torne uma grande dificuldade, algumas reflexões podem ajudar a lidar melhor com as situações mais estressantes. Reavaliar padrões pode ser um bom começo, fazendo algumas perguntas para si mesmo, tipo:
- O que aconteceria se eu relaxasse um pouco mais?
- Será que algo realmente grave vai acontecer se eu executar uma tarefa de forma imperfeita ou até incorreta?
     Se esse tipo de consideração não oferecer grandes resultados, pode ser conveniente optar pela ajuda de um psicólogo mais preocupado com processos e funcionamentos que com a simples erradicação de sintomas, esse profissional pode acompanha-lo na tarefa de elaborar e ressignificar experiências. Afinal, a busca pela perfeição pode ser uma forma defensiva(e inglória) de lidar com angustias e vazios que devem e merecem ser olhados e cuidados.
     Fazer o “seu melhor” sempre, é a melhor opção. Daqui um tempo, aquele “seu melhor” poderá ser melhorado, mas reconhecendo suas limitações do momento, conseguirá fazer um bom trabalho e melhorar, se assim quiser ou precisar.
     Procurar fazer algo benfeito pode ser muito bom; se você está feliz, não há razão para se preocupar, o problema aparece quando o anseio de se superar se torna uma obsessão, passa a ser motivo de sofrimento na maior parte do tempo.


- texto baseado: revista- mente/cérebro – maio/2013

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