sábado, 13 de julho de 2013

A importância da figura paterna no desenvolvimento da criança

Dia dos Pais chegando e nada mais apropriado que falarmos um pouco desta figura, que por muito tempo, era só o provedor da casa, deixando a criação e os cuidados para as mães. Hoje, se sabe que o pai, a figura paterna, a figura masculina, é muito importante para o desenvolvimento e a construção moral, social, emocional e psicológica da criança.
A noção que o homem tinha do que é ser um bom pai mudou muito nos últimos 20 anos, afirma David Popenol, sociólogo da Rutgers University. Ele pode acertar ou errar na educação, mas com certeza passa mais tempo com o filho do que seu pai passou com ele.
Ser paizão está na moda, atesta o psiquiatra paulista Içami Tiba, especializado em crianças e adolescente: “Faz parte da imagem do sujeito bem sucedido trocar fraldas e ir ao parquinho”. Mas, quando o filho cresce um pouco, o pai desaparece para não ter aborrecimentos. Isso não resolve, é claro.
Existem dois tipos de papai modernos: o que quer se distanciar dos problemas e o que sonha em ser amigão do pimpolho. No entanto, “não adianta ficar só dando conselho, ser amigo. Tem que dizer até onde o filho pode ir”, explica DeLa Taille. Definir limites é função muitas vezes antipática, ainda mais levando em conta que o pai dispõe de pouco tempo para os filhos e, em nome do bom relacionamento, não quer gastar aqueles momentos dizendo não. Mas, como a prática demonstra, não tem por onde escapar e quem escapou se arrependeu.
“Quem espera pela adolescência para envolver-se com o filho descobrirá que pode ser tarde demais”, explica o psiquiatra Francisco Assumpção Jr. Primeiro, porque como se sabe, adolescente é um ser arredio que em geral não quer saber de papo nem com pai e nem com mãe. Além disso, as brincadeiras de infância típicas de pai-filho, como jogar bola ou se arriscar na roda gigante, ajuda a criança a aperfeiçoar sua habilidade de se envolver com os outros, lidar com frustrações e resolver problemas. “Por meio de um relacionamento caloroso e brincalhão o pai ensina o filho a ter controle emocional e infunde um sentimento de segurança e bem estar que vai torna-lo mais autoconfiante.” Argumenta o psicólogo William Pollack, da universidade Harvard.
Não quer dizer, que os filhos de pais separados ou de mães “solteiras” são mais problemáticos do que os filhos de pais casados, tudo é relativo. Se a criança tem apoio, carinho, proteção, companhia, cuidados e limites, ele crescerá saudável. A família desempenha um papel, fundamental no desenvolvimento da criança, na sua autoestima, pois é nela que desenvolvemos os laços afetivos, influenciando questões relacionadas ao ajustamento e as mais variadas situações.
A criança necessita de um referencial masculino, sem este, pode tornar-se aversivo ás ordens dadas por representantes femininos. A mãe pode desempenhar o papel de “pai” na hora de colocar limites, de colocar seus valores morais, seguir regras, disciplinas, só que sem esquecer o seu papel de “mãe”, de ser protetora, acolhedora, conselheira, etc. Mas, muito mais difícil este papel para assumir sozinha, a criança precisa perceber a figura do pai, na mãe, de forma concreta, tipo: participando das festinhas da escola em comemoração ao dia dos pais. Não falo que não haverá nenhum prejuízo na formação da identidade da criança, mas nada que não possa ser superado por um representante, como o tio, avô, de modo a amenizar esta perda.
Quando a criança é pequena, diz José Gomes neto, especialista em educação infantil, a mãe é tudo do que ela precisa, mas depois, a comparação com a família dos amigos é inevitável. Não é justo privar a criança de um pai. Se não for possível a presença, por conta de violência doméstica, conduta inapropriada, deve-se pensar numa forma de visitas esporádicas, contato telefônico ou cartas. Mas o que não pode é um adulto não ter a história de sua origem, na versão da mãe, mas também do pai. Uma criança nasce do masculino e feminino. A imagem dos dois deve existir nem que seja só por foto.
 “Vários são os especialistas que defendem que a quebra ao vínculo afetivo com o pai pode gerar sentimentos de abandono e de rejeição por parte da criança, com repercussão nas relações por ela desenvolvida no futuro, comprometendo a formação de novos vínculos. Gury Coreant, psicólogo, afirma que o “pai é o primeiro “outro” que a criança encontra fora do ventre da mãe”, sendo essa presença que vai lhe servir como suporte e apoio, possibilitando o seu desprendimento da mãe e a passagem do mundo da família para o mundo da sociedade.
A importância do pai na formação e no desenvolvimento da criança é tão importante, que nossas leis sempre estão procurando uma melhor maneira de proteger a criança de todas as formas, como um novo projeto em andamento, que pretende alterar uma lei, para assegurar que toda criança tenha o nome do pai na certidão de nascimento. As leis não conseguem de fato, aproximar ou criar uma relação de carinho e respeito entre pais e filhos. No entanto, podem exigir uma maior presença do pai na vida da criança ou, pelo menos, cobrar que ele a assuma e forneça recursos financeiros destinados à criação.

A criança é um bem em si mesmo, independentemente da forma como foi gerada, seja com irresponsabilidade do casal, seja um caso de sedução ou mesmo um estupro. O valor de uma pessoa não reside no fato de ela ser desejada, querida, de ser um bem para os outros. Isso significa que ela tem todo direito de nascer e que sua vida deve ser respeitada incondicionalmente. “Uma vez nascida, para o seu pleno desenvolvimento, essa criança tem de sentir que é muito amada e que nunca ficará desamparada. Ela tem este direito.” diz Sueli Caramello Uliano, presidente do conselho da ONG familiar Viva.

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