quinta-feira, 4 de julho de 2013

crianças e palmadas


CRIANÇAS E PALMADAS

 

     Queria escrever um texto sobre agressão física em crianças, ou para ficar mais suave, as “palmadas” que muitos pais ainda teimam em aplicar em seus filhos como forma de correção, e, para minha alegria, me deparei com este texto da minha querida “mestre” escreveu em seu livro “Desafios da terapia floral” onde fala de maneira simples e bonita, que em vez de criar um texto resolvi colocar na íntegra, vamos ao texto:

    “As palmadas ou a “pedagogia do tapa” surgem no Brasil trazidas pelos jesuítas no século XVI(nos anos 1500) como expressão de “amor”, segundo a historiadora mary Del Priore, no livro Histórias das crianças no Brasil.

    É fácil de entender o porquê: a relação entre pais e filhos era espelhada na relação com o Divino que, segundo a Igreja Católica da época, era uma relação de castigos e punições aos que andavam em erro.

    Estávamos vivendo a época dramática da Inquisição.

     Assim, o inicio da pedagogia Brasileira tem suas raízes nas lições judaico-cristãs, trazidas pelos jesuítas ao país.

    Já no século XVIII, Portugal, através do marques de Pombal, insere as palmatórias como recursos disciplinador, e estas passam a ser usadas em escolas do Brasil.

     Outra prática dessa época é o ajoelhar no milho. A idéia central era submeter, oprimir, humilhar, para obter obediencia total ao adulto, á lei vigente, à igreja.

     Achava-se que a criança precisava de pulso, de palmadas, de castigos físicos, para “virar gente”.

     É bom frisar que a infância só passa a ser mais valorizada a partir do século XIX.

     Além disso, os estudos mais aprofundados sobre o desenvolvimento infantil nascem com aparecimento da psicologia, da pediatria e da neurologia.

     A “pedagogia do tapa” correu os séculos aqui em nosso país e virou um paradigma social:para educar um filho era autorizado e bem visto lançar mão do “psicopata”, das humilhações públicas, ameaças de abandono ou punição física.

     Ainda hoje vemos essa forma de educação moldada nesses preceitos da Inquisição dentro dos lares brasileiros.

     E o que leva os pais do século XXI, que respiram a era da tecnologia e da ciência, a usar modelos de educação do século XVI?

     Autoritarismo é uma face. Tradição e hábito, outra.

     A falta de informação sobre o desenvolvimento infantil, a inteligência social e a inteligência emocional também conta.

     Repetição de padrões aprendidos com pais e mães, sem um questionamento atual de maior profundidade.

     Além disso, falta de autoconhecimento, de imaginação e baixa auto-estima.

     A lista de motivos é extensa, bem maior que esta citada anteriormente.

     Agora, quando um adulto bate em uma criança, independentemente dos motivos que tenha, há sempre raiva e irritabilidade por detrás de seu ato. O discurso pode até ser:”Fiz isso para a criança aprender”, mas na realidade o que muitas vezes existe é: “Eu não aguento mais essa criança” ou “eu não sei o que fazer para ela me obedecer” ou “ela vai me obedecer por bem ou por mal”.

     De toda forma, onde há pancadaria ou tapas não existe diálogos, há carênciaa de paciência, de conhecimento, de tolerância e falta, sem sombra de dúvida, o exercício de uma autoridade verdadeira.

     A palmada surte seu efeito sim e imediato: raiva, medo, insegurança, baixa auto-estima, tristeza, vergonha, agressividade, depressão.

     A criança pode até parar de fazer o que incomodava o adulto ao apanhar, ou não, mas os efeitos são sempre devastadores.

     Educar dá trabalho. Requer amor e paciência, tolerância, disciplina, perseverança e pulso. Tudo envolvido em respeito àquele que ainda é frágil e dependente.

     Da mesma forma que é indispensável estudo e preparação para o exercício de uma profissão, para o cumprimento dos deveres paternos e maternos é preciso estudar a infância e o desenvolvimento infantil, além de buscar o próprio progresso emocional e espiritual, a fim de auxiliar verdadeiramente aos filhos e filhas a terem boa autoestima e valores éticos, mantendo-se generosos, autênticos e criativos.

     Assim, oxalá, a criança sentindo-se mais feliz e amada, tenha a possibilidade de contribuir para que o mundo seja melhor para ela e para todos os que aqui vivem.

Texto do livro: Desafios da Terapia floral- Reflexões para corpo e alma(Thais Accioly)

CRIANÇAS E PALMADAS

 

     Queria escrever um texto sobre agressão física em crianças, ou para ficar mais suave, as “palmadas” que muitos pais ainda teimam em aplicar em seus filhos como forma de correção, e, para minha alegria, me deparei com este texto da minha querida “mestre” escreveu em seu livro “Desafios da terapia floral” onde fala de maneira simples e bonita, que em vez de criar um texto resolvi colocar na íntegra, vamos ao texto:

    “As palmadas ou a “pedagogia do tapa” surgem no Brasil trazidas pelos jesuítas no século XVI(nos anos 1500) como expressão de “amor”, segundo a historiadora mary Del Priore, no livro Histórias das crianças no Brasil.

    É fácil de entender o porquê: a relação entre pais e filhos era espelhada na relação com o Divino que, segundo a Igreja Católica da época, era uma relação de castigos e punições aos que andavam em erro.

    Estávamos vivendo a época dramática da Inquisição.

     Assim, o inicio da pedagogia Brasileira tem suas raízes nas lições judaico-cristãs, trazidas pelos jesuítas ao país.

    Já no século XVIII, Portugal, através do marques de Pombal, insere as palmatórias como recursos disciplinador, e estas passam a ser usadas em escolas do Brasil.

     Outra prática dessa época é o ajoelhar no milho. A idéia central era submeter, oprimir, humilhar, para obter obediencia total ao adulto, á lei vigente, à igreja.

     Achava-se que a criança precisava de pulso, de palmadas, de castigos físicos, para “virar gente”.

     É bom frisar que a infância só passa a ser mais valorizada a partir do século XIX.

     Além disso, os estudos mais aprofundados sobre o desenvolvimento infantil nascem com aparecimento da psicologia, da pediatria e da neurologia.

     A “pedagogia do tapa” correu os séculos aqui em nosso país e virou um paradigma social:para educar um filho era autorizado e bem visto lançar mão do “psicopata”, das humilhações públicas, ameaças de abandono ou punição física.

     Ainda hoje vemos essa forma de educação moldada nesses preceitos da Inquisição dentro dos lares brasileiros.

     E o que leva os pais do século XXI, que respiram a era da tecnologia e da ciência, a usar modelos de educação do século XVI?

     Autoritarismo é uma face. Tradição e hábito, outra.

     A falta de informação sobre o desenvolvimento infantil, a inteligência social e a inteligência emocional também conta.

     Repetição de padrões aprendidos com pais e mães, sem um questionamento atual de maior profundidade.

     Além disso, falta de autoconhecimento, de imaginação e baixa auto-estima.

     A lista de motivos é extensa, bem maior que esta citada anteriormente.

     Agora, quando um adulto bate em uma criança, independentemente dos motivos que tenha, há sempre raiva e irritabilidade por detrás de seu ato. O discurso pode até ser:”Fiz isso para a criança aprender”, mas na realidade o que muitas vezes existe é: “Eu não aguento mais essa criança” ou “eu não sei o que fazer para ela me obedecer” ou “ela vai me obedecer por bem ou por mal”.

     De toda forma, onde há pancadaria ou tapas não existe diálogos, há carênciaa de paciência, de conhecimento, de tolerância e falta, sem sombra de dúvida, o exercício de uma autoridade verdadeira.

     A palmada surte seu efeito sim e imediato: raiva, medo, insegurança, baixa auto-estima, tristeza, vergonha, agressividade, depressão.

     A criança pode até parar de fazer o que incomodava o adulto ao apanhar, ou não, mas os efeitos são sempre devastadores.

     Educar dá trabalho. Requer amor e paciência, tolerância, disciplina, perseverança e pulso. Tudo envolvido em respeito àquele que ainda é frágil e dependente.

     Da mesma forma que é indispensável estudo e preparação para o exercício de uma profissão, para o cumprimento dos deveres paternos e maternos é preciso estudar a infância e o desenvolvimento infantil, além de buscar o próprio progresso emocional e espiritual, a fim de auxiliar verdadeiramente aos filhos e filhas a terem boa autoestima e valores éticos, mantendo-se generosos, autênticos e criativos.

     Assim, oxalá, a criança sentindo-se mais feliz e amada, tenha a possibilidade de contribuir para que o mundo seja melhor para ela e para todos os que aqui vivem.

Texto do livro: Desafios da Terapia floral- Reflexões para corpo e alma(Thais Accioly)

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