terça-feira, 22 de dezembro de 2015

Como traçar e cumprir metas para uma vida mais satisfatória


Nada como ter metas e objetivos para tornar sua vida mais excitante, rica e em consequência, mantendo uma harmonia mental, física e espiritual.

Saiba que para ter uma vida satisfatória tem-se que ter um campo eletromagnético para atrair o que lhe agrada e isso somente será possível quando o seu nível de satisfação for alto, se está insatisfeito, seu campo eletromagnético, fica “aberto” com buracos por onde vazam a energia, já explicado pela física quântica.

Se você estiver satisfeito, maior será sua energia, isso pode ser comprovado quando trabalham bastante, poderia até estar cansado, mas sente-se completamente energizado.

Cada dia que vivemos é um território desconhecido. Podemos prever o que queremos fazer, mas não podemos ter certeza do que iremos realizar.

Sem um planejamento, um objetivo e suas respectivas metas, o individuo acaba sendo governado pelas circunstâncias e decisões de terceiros.

O medo do fracasso é a principal razão para as pessoas acharem trabalhoso planejar.

Pessoas que reclamam que nunca ou dificilmente não conseguem o que querem, que sua vida é uma correria, falta de tempo, situação do país, do governo, má sorte, de Deus, destino. A culpa é sempre do outro.

A falta de objetivo a longo prazo é o grande responsável pela sensação de vazio, de inutilidade, desperdício de tempo e falta de motivação.

Planejar a vida não significa controlar cada passo, mesmo pq isso é impossível. Planejar significa saber onde estamos, onde queremos ir, como chegar lá e, claro, ter jogo de cintura para lidar com contratempos no meio do caminho.

A regra é escrever ações que você pode realizar e controlar, ou seja, fazer a sua parte, não adianta colocar uma meta de ganhar mais dinheiro, e o plano de ação é jogar na loteria, isso está fora de seu controle, é colocar, como vou conseguir, qual é o primeiro passo, traçar  estratégias, ter um plano de ação.

Dicas básicas para conseguir fazer e cumprir suas metas:
  • Comece fazendo uma lista de insatisfações, tudo que lhe incomoda. Pode iniciar pela sua aparência física, coisas que pode mudar, não adianta ficar sofrendo pq é “baixinho”......
  • Vá agora para usa casa. O que está “temporariamente” esperando uma solução? Um quadro para pendurar, um vazamento.
  • Agora seu ambiente de trabalho, seus relacionamentos: amorosos, familiares, sociais, ....
  • Passe um pente fino em sua vida toda. Quanto mais itens, melhor, são as tomadas de consciência que te levará às mudanças necessárias.
  • Feita a lista, segundo passo: Quanto tempo você precisa para solucionar cada um destes itens? O que pode ser feito num dia? 1 mês? 6 meses? 1 ano? Mais? E assim por diante.
Agora é hora de ir para o plano de ação:

Ex: quero tirar cópia de casa. Em quanto tempo resolvo? 1 dia - Quando farei? Terça-feira de manhã;   ou mesmo situações que levam mais tempo, como: emagrecer 10 kg,; mudar de emprego ou de cidade; aumentar minha renda; diminuir minhas atividades diárias, etc.

Para manter o foco, faça um planejamento de suas ações a fim de realizar apenas as que são realmente importantes, acredite em seu potencial, respeitando as suas próprias condições e evite os desvios de atenção desnecessários.

Sabe o que começará acontecer? Você estará fechando vazamentos de energia. E terá mais energia para fazer as outras tarefas.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

100 Anos de Juventude


As pessoas mais velhas hoje em dia tendem a não ser simples sobreviventes, mas sim indivíduos que incorporam atitudes e valores invejáveis.

Os sociólogos que estudam centenários inevitavelmente se impressionam com sua forte ligação com a liberdade e a independência, eles são adaptáveis. Em algum ponto de sua vida todos eles sofreram perdas e reveses. mas mesmo a perda mais significativa, foi chorada e depois a pessoa seguiu em frente.

Tentar descrever a "personalidade do longevo" é por demais restritivo no caso dos centenários - os avós bonachões e tranquilos é apenas um tipo entre muitos. Chegar aos 100 anos também acontece com gente egoísta, sarcástica e socialmente intratável. O traço comum é um sentido de auto-suficiência muito mais profundo do que a personalidade.

O estudo de Jewett, viu a longevidade em termos amplos e a maioria dos fatores que levou em conta eram subjetivos, relacionados ao modo como aquelas pessoas se sentiam a respeito de si mesmas. em comparação, os fatores puramente objetivos ligados á longevidade eram em pequeno número e muito gerais.(estudo com pessoas de 80 a 90 anos)
                                           
CARACTERÍSTICAS FÍSICAS

  • nenhum excesso ou deficiência de peso séria demais;
  • pouca flutuação no peso corporal durante a vida;
  • bom tônus muscular, de um modo geral;
  • força muscular;
  • pele de boa aparência;
  • ainda dirige automóvel e se engaja em atividades físicas.


CARACTERÍSTICAS PSICOLÓGICAS
(INCLUSIVE ESTILO DE VIDA E COMPORTAMENTO)


  • inteligência inata superior, vivo interesse nos acontecimentos correntes, boa memória;
  • livres de ansiedade, poucas doenças, tendência a não se preocupar;
  • independência na escolha de sua vocação. Tendência a ter seus próprios negócios.Trabalhavam em agricultura e no ramo de sementes, assim também como em medicina, direito e arquitetura; outros tinham seus pequenos negócios, e, em poucos casos, negócios de grande porte. A maioria não se aposentou cedo;
  • a maioria foi atingida seriamente pela depressão, quando tinham por volta de 50 a 60 anos, mas se recuperaram e construíram novos futuros;
  • aproveitaram a vida. todos tinham um certo grau de otimismo e acentuado senso de humor. Reagiam aos prazeres simples. A vida parece ter sido uma grande aventura. Capazes de ver beleza onde outros só viam feiura;
  • grande capacidade de adaptação. embora muitos cultivassem lembranças da infância, todos preferiam viver no presente com as suas inúmeras mudanças;
  • não se mostravam preocupados com a morte;
  • continuavam vivendo com a satisfação o dia-a-dia;
  • todos podiam ser descritos como religiosos num sentido amplo, mas nenhum exibia ortodoxia extrema;
  • alimentavam-se moderadamente, mas dispunham-se a experimentar novidades. nada de dietas especiais. sua alimentação incluía uma grande variedade de itens ricos em proteínas e pobres de gordura;
  • todos se levantavam cedo. em média dormiam de seis a sete horas, embora ficassem descansando na cama oito horas(sono curto ou interrompido é típico da idade avançada);
  • sem uniformidade nos hábitos de bebida. Uns bebiam moderadamente, outros às vezes bebiam muito, alguns eram abstêmios;
  • tabagismo - uns não fumavam, uns poucos tinham fumado moderadamente, mas haviam abandonados o vício a muito tempo, e um número muito pequeno era composto de inveterados fumantes de cachimbo;
  • medicamentos - usaram menos remédios no decurso de suas vidas do que muitos idosos usam numa semana;
  • a maioria bebia café.


texto baseado no livro : corpo sem idade, mente sem fronteiras- Deepak chopra, m.d.

quinta-feira, 26 de novembro de 2015

Dentes e Sentimentos, uma Estreita Ligação

O que causa a psicossomatização não é o acontecimento em si, mas sim a consciência que ela traz para a pessoa e ela rejeita. Na verdade, adoecemos não por temos problemas, mas sim porque nós recusamos ver nossos problemas (devido a censura).

A boca e sua estrutura guardam em sua “memória” as mais diversas emoções, sentimentos e simbologias. Basta lembrar que nosso primeiro contato de satisfação, intimidade, afeto e prazer ocorreu na cavidade oral através da amamentação.

Os dentes nascem e o sugar dá lugar ao morder, abocanhar e há uma clara conotação ao instinto de luta, de agressão e sobrevivência, acompanhadas pela sensação de independência e poder. Ruminamos emoções, rangemos os dentes contendo nossa agressividade instintiva.

Com o tempo vem a aceitação do individuo no meio social, afinal “os dentes são o cartão de visitas de uma pessoa” como se costuma dizer. Assim o sorriso tem a imagem clara de bem estar, confiança, alegria, segurança, acolhida e aproximação.

O sentido do paladar nunca deve ser negligenciado, afinal lembramos do “gosto da infância”, “gosto de festa” e dos “tempos amargos” simbolizando alegrias e tristezas no que se aprende com a boca.

Prazer e boca formam assim associações das mais diversas, não podendo ainda nos esquecermos do prazer do beijo, do carinho, do sexo em si. Impossível falar em beijo sem falar de sexo e vice-versa. A boca fica sendo assim uma zona erógena por excelência.

Os cirurgiões- dentistas continuarão obviamente a restaurar e alinhar dentes, a confeccionar placas de mordida e implantar dentes artificiais, mas uma reflexão profunda tanto por parte dos pacientes como dos profissionais é necessária sempre, assim como interação multidisciplinar com outros profissionais da área da saúde para proporcionar o bem estar e prevenção sempre tão almejadas.

A biocibernética bucal, vê o individuo como bem mais do que simplesmente uma boca. Cada paciente que chega ao consultório é um intrincado sistema de correlações, que vai da cabeça aos pés, e é absolutamente único.

Segundo a biocibernética bucal, cada agrupamento de quatro (4) dentes se liga a um determinado sistema e a um tipo de emoção. Explicando melhor: quando o sistema digestivo atinge a maturidade, nascem:
  • primeiros molares definitivos – estão ligados à vitalidade
  • incisivos centrais – se associam ao sistema neural e, por extensão, a sua personalidade, ao comportamento
  • incisivos laterais – órgãos dos sentidos e a afetividade, história familiar e integração social
  • primeiros pré-molares- glândulas sudoríparas, rins, bexiga e pulmão; plano psicológico – segurança pessoal;
  • segundos pré- molares – sistema respiratório e a estabilidade emocional
  • caninos – sistema circulatório e a maneira de amar, atacar e defender-se;
  • segundos molares – ligados à puberdade, aparecimento dos hormônios sexuais e órgãos de reprodução;
  • sisos – que complementam a personalidade, representam a percepção que o individuo tem de si mesmo.

Mexer na boca é mexer com uma carga emocional fortíssima. Ex: a tendência a arrancar os dentes de siso, quando eles estão bloqueados por algum motivo, diminui as possibilidades de o individuo se encontrar como pessoa. O que, se por um lado pode determinar alguém que vive uma eterna busca, por outro pode levar a um nível permanente de insatisfação e uma necessidade constante de aprimoramento. O que também pode resultar em altos níveis de desempenho profissional e intelectual, exemplifica o Dr. Newton Nogueira, dentista, adepto da odontologia sistêmica.

terça-feira, 24 de novembro de 2015

Uma visão psicológica do filme: A Ilha do Medo

SINOPSE

1954. Teddy Daniels (Leonardo DiCaprio) investiga o desaparecimento de um paciente no Shutter Island Ashecliffe Hospital, em Boston. No local, ele descobre que os médicos realizam experiências radicais com os pacientes, envolvendo métodos ilegais e anti-éticos. Teddy tenta buscar mais informações, mas enfrenta a resistência dos médicos em lhe fornecer os arquivos que possam permitir que o caso seja aberto. Quando um furacão deixa a ilha sem comunicação, diversos prisioneiros conseguem escapar e tornam a situação ainda mais perigosa.





TRAILER



UM OLHAR PSICOLÓGICO


Procurei passar uma análise do filme sem falar da trama toda, sem mencionar o que levou o protagonista do filme a confundir realidade com fantasia, presente com o passado, para aguçar mais a curiosidade dos leitores e assistirem ao filme, postando comentários e novas percepções do filme. E para quem não conseguir assistir ao filme, a leitura será interessante, pois conhecerá um pouco mais do poder dos traumas na nossa vida.

“A ilha do medo e o paradoxo da razão ilhada pela memória do insuportável”.

Filme de Martin Scorcese, onde mergulha fundo no universo da natureza humana que abriga em seu canto mais escuro o mal e a loucura. Como é difícil transitar nas fronteiras do ser...

Aqui os monstros crescem na sombra da alma humana, e assustam porque nos assaltam de dentro de nós mesmos.

A uma certa altura, o psiquiatra Crawley, ensina que a palavra “trauma” vem do grego e significa “ferida” e que estas podem criar monstros que devemos deter dentro de nós.

Criar o clima de descobertas assustadoras que vão contando uma história sob o prisma do protagonista, Di Caprio, que encena um personagem que vai até uma ilha-presidio, onde se situa um manicômio judiciário. Ele é viúvo, ex militar e policial, em uma importante missão, descobrir o paradeiro de uma paciente que desapareceu. Leva consigo, além da astúcia e coragem de um agente federal, a marca traumática das lembranças dos campos de concentração nazistas, pois que servira no exército durante a 2ª guerra mundial. Essa lembrança o atormenta fortemente, misturando-se fragmentos de sonhos, visões e memórias de experiências.

O delírio do protagonista vai sendo desmantelado a força, por meio de confronto  compulsivo com “dados de realidades” – fotos- nomes- noções de tempo e espaço – revelações de identidades. A lucidez vai se produzindo como um efeito da eficácia do método terapêutico. O tratamento desconstrói a defesa psíquica delirante do personagem, obrigando-o a se defrontar com os vestígios mnêmicos de seu ato homicida.

Uma vez recuperada a memória do evento traumático, Teddy passa a culpar-se terrivelmente e se sentir um monstro.

Qual a serventia dessa lucidez, afinal?
Em sua loucura e parcial amnésia, o personagem tinha um ideal pelo qual lutar. Não era um monstro, mas um herói em potencial, disposto a salvar vidas.

E quando, já perto do fim, ele já está supostamente “curado” da psicose, somos jogados numa ambiguidade de compreensões que, mais do que serviu para nos confundir, serve para nos apresentar o desfecho do filme como um paradoxo da razão ilhada pela memória do insuportável.

Na brincadeira de retomar o delírio, via jogo de encenação, ele acaba fazendo uma escolha ética: livrar-se do peso insuportável da culpa e da dor, ainda que para isso tivesse que perder a própria capacidade de escolha.

Eis o paradoxo: seu gesto mais lúcido foi entregar a própria lucidez de bandeja. Afinal este não lhe serviria mais para nada, muito menos para sobreviver à corrosiva e dilacerante dor de existir atravessado pela culpa, pelo horror e pela solidão.

O que é menos pior: (sobre)viver como um monstro ou escolher morrer como um homem bom?

O que pode restar de humano após uma lobotomia? Nada, a não ser o testemunho daqueles que , minutos antes da escolha, puderam perceber a motivação legítima desta escolha como meio de escapar de uma outra prisão: a culpa.

quinta-feira, 5 de novembro de 2015

O Bruxismo

Nos últimos anos tem-se observado um número cada vez maior de estudos que integram a psicologia e a odontologia. Neste campo, começam a surgir trabalhos sobre os aspectos psicológicos associados ás diversas disfunções que abrangem a região craniomandibular. Estudos como o que se realizam com pacientes com dor temporomandibular (SERRALTA et al.2001) revelam que sintomas psicológicos, com frequência, estão relacionados aos transtornos da esfera orofacial e apontam para a necessidade do odontólogo encaminhar, se necessário, o paciente a um psicólogo para efetuar tratamento combinado
Também OKINO et al. (1990) ressalta que a maioria dos pacientes com disfunções na articulação temporomandibular necessitam atendimentos psicológicos especializados, devido a alta interferência do estresse na sintomatologia apresentada.
Como salienta SEGER et al. (1998) ainda que possa alertar para uma oclusão anormal, o bruxismo é, muitas vezes, uma expressão do estresse mental, da agressividade e ansiedade, dentre outros fatores psicológicos.
Também MOLINA (1998) afirma que estudos têm revelado que pacientes com bruxismo possuem uma personalidade agressiva, ansiosa e tensa, provavelmente devido a emoções reprimidas em períodos iniciante da vida.
A boca é nossa primeira zona erógena, nosso primeiro modo de contato real com o meio, é através dela que registramos gratificações e penalizamos nos nossos primeiros anos de vida, sendo uma eterna zona erógena e representativa de obter e dar prazer ou desprazer.
Percebe-se, portanto, que a região bucal, por constituir a primeira zona de estimulação e excitação sensorial, fonte primária de experiências de prazer, frustração e dor, ocupe um lugar privilegiado na expressão dos afetos, constituição do caráter e determinação dos hábitos de vida dos indivíduos (por exemplo: roer unha, fumar, morder objetos, etc, constituem resquícios, fixações desse modo primitivo de satisfação).
O bruxismo diz respeito ao desgaste ou ranger dos dentes, que segundo PAIVA et al. (1997) não tem um propósito funcional e pode ter inicio precoce ou tardio. É um apertamento involuntário dos dentes que, associado aos movimentos mandibulares laterais e protusivos, resulta no rangido e desgaste dos dentes. Seria um hábito frequente associado ao estresse emocional ou fadiga.

Morder é uma atividade bastante agressiva, a expressão da capacidade de cuidar de nós mesmos, de enfrentar os fatos e de “agarrar as coisas com os dentes”. Assim como um cão arreganha os dentes a fim de deixar claro o quanto pode ser perigoso e agressivo, também falamos de “mostrar os dentes a alguém” querendo dizer com isso que tomamos uma resolução, que defenderemos nosso ponto de vista.
De modo geral, o bruxismo é considerado uma disfunção psicossomática multifatorial, causada tanto pela oclusão anormal como por fatores psicológicos: tensão emocional, agressão reprimida, ansiedade, raiva, medo, frustrações e estresse.

Sintomas: Dor disfuncional muscular da articulação (ATM); dores de cabeça, podendo até atingir o ouvido, tonturas, dor muscular facial relacionados aos músculos mastigatório, restrição na abertura da boca, dor generalizada, estalidos, travamento nas articulações.

Tratamentos: A forma mais empregada para o alívio é a utilização de placas interoclusais miorrelaxantes, que não chegam na causa, com isso, muitos odontólogos acreditam não haver cura. Mas se tratarmos o indivíduo como um todos, que tudo está interligados, conseguiremos chegar a cura ou pelo menos na diminuição significativa dos sintomas para uma boa qualidade de vida. Ações multidisciplinares, especialistas da área da saúde que tendem a enxergar o paciente como um todo: odontólogo, psicólogo, fonodiólogo, fisioterapeuta, além das terapias alternativas: acupuntura, hipnose, florais, yoga, etc....


Texto baseado no livro: A doença como caminho, jornal brasileiro de oclusão, ATM e dor orofacial; monografia apresentada à Associação Brasileira de odontologia.

    

quarta-feira, 28 de outubro de 2015

Uma visão psicológica do filme: Um divã para dois

 SINOPSE

Kay (Mary Streepe) e Arnold Soames (Tommy Lee Jones) estão casados há 31 anos. O relacionamento entre eles caiu na rotina e há tempos não tem algum tipo de romantismo. O sexo entre eles acabou faz tempo, e cada um segue a sua rotina entediante dia após dia. Eles poderiam continuar assim por mais algumas décadas, mas Kay decide reagir.Querendo mudar a situação Kay agenda para ambos um fim de semana de aconselhamento com o dr. Feld (Steve Carell). O dr. Bernine é um famoso terapeuta de casais que já resolveu muitos casos complicados. Quando Kay finalmente consegue arrastar seu teimoso marido para a terapia, nunca mais nada será como antes, pois dividir o mesmo divã com o marido será mais complicado do que dividir a mesma cama. A surpresa é que as consultas com o terapeuta acabam servindo como um meio de o casal se conhecer novamente, após anos de intimidade.

TRAILLER


UM OLHAR PSICOLÓGICO

Muitos se verão retratados em cenas do filme. Quando falo muitos, não me refiro somente aos casais na mesma situação (muitos anos de casados), mas em relacionamentos de todas as idades. O filme fala do que não é dito, do que está reprimido e, isto ocorre em muitas relações de formas diversas.

O psicoterapeuta de casal, no filme, sério e comprometido com seu trabalho, mostra como pode servir de escada para as questões e soluções dos clientes que possam emergir, No filme, tal qual ocorre no set terapêutico real, o psicoterapeuta tem a função de "provocar" o casal a sair do rascunho  e passar suas vidas a limpo. Não se trata apenas de um intermediário ou conselheiro, mas um profissional que se torna ferramenta para favorecer a ampliação de possibilidade na vida dos clientes. O fato de se perceberem como estão funcionando abre novas opções de escolha, o que possibilita mudanças reais.

O filme acaba por oferecer reflexões diversas em sua proposta. Por exemplo: mostrando o universo feminino, referindo as mulheres de todas as idades, pois além da sexualidade reprimida, muitas mulheres se anulam em outros aspectos quando se apaixonam. Seus objetivos estão sempre, como diz a personagem, focando projetos futuros: casar, ter filhos, educar, formar, etc. E o que dizer das paixões avassaladoras que fazem com que muitas se esqueçam de si, entregando-se à relação ao ponto de, com o tempo, não saberem mais dos próprios gostos? O universo feminino íntimo de uma mulher de meia idade não está muito distante de outras muito mais jovens, então. Sonhar faz parte da vida, mas não podemos perder o momento presente. Pois, quando desistimos de sonhar, o agora se torna incômodo, nos sufocando com falta de movimento. Ela percebe que o seu mundo parou, mas não se acomoda, segue em busca de algo que a faça sonhar outra vez.

Quando o filme toca no universo masculino, nos convida a refletir por situações tão comuns a eles. Na trama, o maridão acomodado e durão resiste as investidas da esposa. Arnold se conforma com  a relação morna e seu cotidiano previsível, de certa forma se nega a olhar para as possíveis questões. Quando percebe a possibilidade de perder o pouco que lhe resta, sente-se ameaçado. Aí sim, tenta aderir à proposta. Entretanto, falar de sua intimidade a um estranho se mostra mais difícil do que poderia prever.Características como teimosia e negação, revelam a dificuldade masculina de lidar com emoções e situações nas quais não tem controle. E cada passo do processo o torna mais propenso a desistir do projeto nova ameça de perda surge, fazendo com que retoma o esforço de tentar outra vez.

No filme mostra como cada um tem idéias diferentes a respeito da situação. Existe o casamento dela, e o casamento dele, e aquele que deveria ser de ambos, em comum acordo. No entanto, a dificuldade de comunicação, a distância afetiva e física já se instaurou, o que parece, a princípio incomodar somente a parte feminina. O terapeuta, então, propõe alguns exercícios que farão com que ambos enfrentem a própria realidade. As perguntas sobre sexualidade surpreende os clientes, que aos poucos vão revelando os desejos reprimidos e a dificuldade de lidar com o tema. o casal "íntimo" transparece o quão estranhos de fatos são. E quando se tornam conscientes, abre-se um caminho para o resgate desse outro que deve ser conquistado. Esse "outro" sai do lugar imóvel na relação, passando a alguém que pode ser perdido, que não se tornou propriedade imóvel com o tempo de contrato matrimonial. O papel do terapeuta é mesmo de provocar o casal a rever seu contrato e avaliar seus desejos mais íntimos, partilhando mais autenticidade.

Sem querer avaliar o trabalho do terapeuta retratado na trama, pois no filme a proposta mostra possíveis passagens do setting terapêutico, o que é diferente de um estudo de caso, mas só retratar a terapia de casal, o filme abre um caminho para que outros casais em crise possam também procurar ajuda profissional.

No geral, o filme alerta para a possibilidade de qualquer relacionamento estacionar no tempo e espaço, transformando a rotina do casal em algo capaz de sufocar a individualidade dos envolvidos. Desejos reprimidos, frustrações matrimoniais, sexualidade, intimidade, distanciamento, comodismo, emoções contidas e outros assuntos são discutidos.

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

Aspectos Psicológicos Das Mulheres Com Câncer De Mama

CONHECENDO UM POUCO DOS ASPECTOS PSICOLÓGICOS NA MULHER COM CÂNCER DE MAMA

Através do conhecimento e da compreensão dos processos psíquicos por que passam a mulher com câncer de mama, durante todas as fases do tratamento, torna-se possível o entendimento de sua dinâmica psíquica: seus medos, angústias, raiva, inquietação, ansiedades e fantasias que podem interferir em uma melhor resposta ao tratamento. Cada paciente vivencia de forma individual essa experiência, acerca de seu diagnóstico e dos aspectos psicossociais envolvidos nesse processo, podendo utilizar-se da “negação” como perigoso mecanismo de defesa nesta circunstância. Desta forma, torna-se imprescindível a formação de uma equipe multidisciplinar composta por psicólogos e médicos, para que juntos proporcionem à mulher, um atendimento humanitário, completo, promovendo assim o restabelecimento da saúde em seu sentido mais amplo: o indivíduo visto como um todo, ou seja, como um ser biopsicossocial, que se relaciona com o meio em que vive, mas que precisa estar em harmonia consigo próprio.

Cada indivíduo tem um modo de viver e adoecer. O tipo de doença e a época da vida em que ela se manifesta tem relação com a sua história, com a natureza dos seus conflitos intrapsíquicos e com a forma de lidar com eles.

A forma como cada pessoa foi criada, o contexto sócio-histórico reflete na vida do individuo, porque tudo o que foi construído foi internalizado e pode refletir de alguma forma na vida do sujeito.

O individuo faz do corpo o palco para a expressão de sua angústia. (Marco silva)

“Em nossa experiência com mulheres portadoras de câncer de mama, percebemos que nelas existe, escondida em aparente auto-suficiência, uma grande fragilidade como se fossem guerreiras que abriram mão de suas fantasias, de seus sonhos e de seu direito de serem felizes. Com isso, suprimiram seus sentimentos e, por vezes, já não mais os reconhecem” (Marisa Speranza).

É importante sempre deixar claro que a presença das características citadas, não é necessariamente, causadora de algum tipo de doença ou do câncer. Ter a personalidade mais ou menos introvertida, sofrer ou não perdas importantes ou ter a vida mais ou menos estressantes, não quer dizer que se vai ficar doente ou ser sadio para sempre. Tudo dependerá da maneira como cada indivíduo interpretará ou lidará com seus problemas, seus conflitos.

Por isso, reforço sempre: Quanto mais nos conhecermos, mais conscientes ficaremos das nossas dificuldades, dos nossos medos , bloqueios, e assim conseguiremos diminuir e transformar estas emoções, para aquelas mais positivas, que nos tragam segurança, realização, conforto, harmonia em nossa vida.


(texto baseado em artigos de psicologia on line)

terça-feira, 15 de setembro de 2015

Filhos Ansiosos e Depressivos


O que está acontecendo com esta geração que está cada vez mais ansiosa e depressiva?

Até um tempo atrás, a depressão era considerada o mal do século, hoje, segundo o psiquiatra Augusto Cury (autor do livro: Ansiedade - Como enfrentar o mal do século?), é a ansiedade que está sendo considerada. O pior disso é que a ansiedade parece que anda de mãos dadas com a depressão, pois ambas não se vivencia o momento presente como se deve .

"Estamos assistindo ao assassinato coletivo da infância das crianças e da juventude dos adolescentes no mundo todo. Nós alteramos o ritmo de construção dos pensamentos por meio do excesso de estímulos, sejam presentes a todo momento, sejam acesso ilimitado a Smartfones, redes sociais, jogos de videogame ou excesso de tv." diz Augusto Cury. "Eles estão perdendo as habilidades sócio-emocionais mais importantes. De se colocar no lugar do outro, pensar antes de agir, expor e não impor as idéias, aprender a arte de agradecer. É preciso ensiná-los a proteger a emoção para que fiquem livres de transtornos psíquicos. Eles necessitam gerenciar os pensamentos para prevenir a ansiedade. Ter consciência crítica e desenvolver a concentração. aprender a não agir pela reação, no esquema "bateu, levou", e a desenvolver altruísmo e generosidade."

As crianças e adolescentes precisam ser estimulados a se aventurar, a ter contato com a natureza, a contemplar o belo, a fazerem pausas, pois estão viciados em receber muitos estímulos para sentir muito pouco de prazer, resultado: são intolerantes e superficiais, além de estar provocando o aumento de suicídios.

Os pais precisam compartilhar sua dor, seus fracassos, suas dificuldades, cruzar seu mundo com o dos filhos, formando arquivos saudáveis poderosos, ensinando seus filhos a trabalhar dores, perdas e frustrações.

É preciso criar uma intimidade real com os pequenos. A emoção deve ser transmitida na relação. Os pais devem ser os melhores brinquedos dos seus filhos. A nutrição emocional é importante mesmo que não se tenha tempo, o tempo precisa ser qualitativo.

Os pais devem promover mais acertos do que apontam falhas. Os pais tem que amadurecer e não só envelhecer, estar equilibrados emocionalmente. parar de reclamar de tudo e de todos, também não sabem ouvir "não", não sabem trabalhar as perdas. Os pais tem que sempre ser o espelho para seus filhos, desligar o celular no fim de semana, e ser pais. Muitos não conseguem se desconectar de seus Smartphone, como vão ensinar os seus filhos a fazer pausas e contemplar a vida? Se os adultos têm o que se chama síndrome do pensamento acelerado, que é viver sem conseguir aquietar a mente, como vão ajudar seus filhos a diminuírem a ansiedade?

E dividindo as responsabilidades estão as escolas, que também, muitas, precisam mudar, por serem muito cartesianas, ensinam raciocínio e pensamento lógico mas se esquecem das habilidades sócio-emocionais. Criança tem que ter infância. Precisa brincar, e não ficar com uma agenda pré-estabelecida o tempo todo, com aulas variadas. é importante que criem brincadeiras, desenvolvendo a criatividade. Hoje as crianças tem muitas informações desacompanhadas de conhecimento.

Lembre-se: todo excesso é prejudicial, se estão só criticando e constrangendo, estarão criando crianças e adolescentes inseguros, retraídos, sem iniciativas, com dificuldade em empreender; mas se só elogiam, que tudo que fazem ou dizem é lindo e maravilhoso, deixando-os acreditarem que são príncipes e princesas, estarão criando os prepotentes, arrogantes, rebeldes, ambos terão uma não aceitação da vida como ela é, cheia de frustrações e decepções .

(texto baseado no blog contioutra - psicologia e desenvolvimento) 
    

quinta-feira, 10 de setembro de 2015

O Certo da Pessoa e o Errado da Situação

Em cada problema que um casal vive, existe "o errado da situação" e o "certo da pessoa". O errado, evidente, é o comportamento ou sentimento que causa o problema, todo mundo já está vendo. Já o certo é um sentimento de que a pessoa não consegue se dar conta ou não consegue expressá-lo de forma adequada. Exemplo:

Felipe e Marisa estão casados há 30 anos. Ele é um homem metódico e racional e ela uma mulher expansiva, emocional e impulsiva. Nos últimos 5 anos Marisa tem reclamado cada vez mais do marido, queixando-se de que ele nunca diz que a ama, que se preocupa mais com o trabalho do que com ela, que não conversa, que não a valoriza, e muitas outras coisas. Ultimamente, as reclamações de marisa têm se transformado em verdadeiros ataques: ela se descontrola, chora, grita, bate no marido, sai de casa no meio da noite para ficar andando a esmo pelas ruas e, frequentemente, ameaça se matar.

O errado desta situação salta aos olhos, é o comportamento pouco carinhoso do marido e o comportamento enlouquecido da esposa. E o certo desta história onde está? Nos sentimentos. marisa não se sente amada, isto é verdadeiro; Felipe sente que ama marisa do seu jeito, isto é verdadeiro. Por mesmo, "um sentimento certo". As brigas de casal que tratam, à exaustão, dos comportamentos errados precisam se transformar em uma conversa amorosa capaz de focalizar os sentimentos certos. Reconhecer a verdade do sentimento do outro, mesmo não concordando com o comportamento que ele gera, ajuda a desarmar a discussão e abre novos espaços insuspeitos na situação. Felipe não concorda com as crises de Marisa, mas reconhece que de verdade ela não se sente amada. marisa não concorda com a frieza de Felipe, mas reconhece que do ponto de vista dele ele a ama. Este reconhecimento mútuo da verdade do outro coloca a discussão em um outro patamar de disposição para as mudanças na relação.

Além de, eventualmente, conseguir mudar comportamentos, uma boa conversa deve servir para focalizar sentimentos que são sempre certas. O que pode ser considerado certo ou errado são as coisas que as pessoas fazem, mas o que elas sentem é sempre uma verdade para elas, e nesse sentido, estão sempre certas. Você pode pedir para uma pessoa controlar seu comportamento, mas não há como pedir para controlar o que sente. Esse negócio de reconhecer "o certo da pessoa" apesar de discordar do errado do comportamento faz milagre, experimente. Dizer sim para o sentimento e dizer não para o comportamento pode parecer confuso, mas funciona. Já está tendo o início da transformação, da mudança do comportamento e dos sentimentos, porque um estará entendendo o outro, dando importância para que estão sentindo e ai conseguem sentar conversar e resolver a situação.

(texto baseado no livro : O nó e o laço - Alfredo Simonetti)


domingo, 16 de agosto de 2015

A Doença da Alma - Uma visão sobre a doença de Alzheimer

Colhendo várias informações de livros e textos sobre os sintomas da doença de Alzheimer, encontrei um resumo, (bem sintetizado) onde você, poderá entender o processo da demência em nossas vidas.

Não espero que acredite, mas que reflita sobre o texto, pois deste, poderá inclusive, livrá-lo de um futuro como o de seu ente querido. 

A Doença de Alzheimer é uma doença que ainda não desempenha um papel importante na consciência dos ainda não afetados. 

Quando Dr Alois Alzheimer descreveu a enfermidade para a comunidade médica há um século atrás, pouca coisa foi feita em relação a se dar uma relevante importância a gravidade social, familiar que envolvem os sintomas iniciais da doença .

Estamos dando pequenos passos a frente e muitos atrás. Não reconhecemos mais nossos irmãos, pais, maridos, filhos como pessoas amigas, queridas.

Perdemos os caminho. Queremos colo . Queremos que tomem conta da gente , queremos atenção, mas ninguém tem tempo para nos dar. Não queremos ser responsáveis por nada e por ninguém, é tudo muito difícil.

Queremos ficar na sombra de nossas almas, mas somos forçados a interagir com quem não queremos ou não podemos reconhecer como “conhecido”.

Nosso objetivo na vida está cada vez mais longe, distante do ideal... Perdeu-se no caminho .
Não sabemos mais onde estamos e por que estamos e para onde deveremos ir.
Não há luz, não há esperança. Nos deprimimos. Temos medo de tudo , do escuro, da solidão, do outro.

Perambulamos pelas ruas a procura de um rosto amigo, uma identificação com um passado querido, mas a busca é em vão e nos entregamos a gritar, a chorar, a xingar, a bater com toda nossa força, que pouco ainda nos resta.

Precisamos de orientação , de uma mão amiga que nos diga onde devemos ir . Um abraço apertado e uma voz nos dizendo: Vai dar tudo certo. Tudo vai terminar bem...
Vivendo com esta percepção da vida, já conseguimos entender pq está aumentando cada vez mais pessoas com esta doença, e pq é considerada a "doença da alma".
Alzheimer é uma despedida que leva anos...

A medicina chinesa e os estudos psicológicos de correlação das doenças com os padrões mentais do ser humano mostram que o mal de Alzheimer ocorre com pessoas que teimaram a vida inteira em não aceitar a vida como ela é.

Na verdade sempre procuraram controlar os acontecimentos ou os pensamentos dos outros à sua maneira, mas, quando contrariados , acabaram gerando para si mesmas frustração e raiva.

Por isso, a única saída para aqueles que resistem em mudar seu modo de ver a vida “é começar a esquecê-la”, o que vai revelar o outro extremo de seu ego controlador e indefeso.

Essas pessoas perdem, inconscientemente, a esperança de transformar o ambiente em que vivem e “partem para um estado de demência” a fim de relaxar.

Entenda que enquanto a consciência foge dos processos da vida pelos estranhos caminhos da amnésia, da demência, das drogas ou do sono, o inconsciente do ser humano permanece intacto e ativo em seu ritmo instintivo de emoções e de necessidades fisiológicas e biológicas.

Procure entendê-lo tratando-o com amor e paciência, mesmo que ele se mostre violento e esquecido, pois esse comportamento é típico de sua obstinadaresistência em não querer ajuda.

Ele sabe, inconscientemente , que essa ajuda, certamente, vai “curá-lo”, fará com que ele viva no aqui e no agora e é tudo que ele não quer , o que o obrigaria a ter de dar o braço a torcer contra a sua vontade.

Converse com seu subconsciente como se estivesse conversando com uma pessoa normal, o que, na realidade, ele é, apenas carrega medos maiores que sua vontade.

Não duvide daquilo que ainda você não tem total conhecimento, coisas não são exatamente como vemos com os olhos físicos.

Livros pesquisados - Cristina Cairo e Dr. Rüdger Dahlke-( baseado no texto do blog da escritora laura coelho)

segunda-feira, 27 de julho de 2015

Dependência - Os Carentes Profissionais

 
Assumir a responsabilidade por seu próprio destino é uma das tarefas essenciais em nosso autodesenvolvimento. mas ainda é uma meta assustadora para a grande maioria das pessoas, que preferem escorar-se na família, na igreja e em tantas outras muletas disponíveis. Veja aqui como usá-las sabiamente e, no momento certo, dispensá-las para sempre.


Quando se é criança, depende-se naturalmente dos pais para quase tudo. Na primeira infância, somos de fato, muito dependentes: não podemos escolher nossa alimentação, precisamos de alguém que cuide de nossa saúde e higiene e até mesmo de quem nos ensine a pensar. Mas, por volta dos sete anos, já conseguimos atravessar uma rua sozinho, comprar um sorvete na cantina. Sabemos dizer não quando alguém de quem gostamos nos pede um brinquedo ou um lápis emprestado. Nos vestimos sozinhos, cuidamos pessoalmente do nosso banho diário, devoramos batatas fritas e franzimos o nariz ao espinafre e à beterraba.

É por ai que começa nossa escalada rumo à independência. Cada dia representa um novo desafio, uma nova conquista. Nossas armas? Raciocínio, intuição e muita, muita informação. O inimigo? O desconhecido, tudo aquilo que por ignorância tememos, antes mesmo de saber se é ou não bom para nós.

Durante a adolescência, a confusão se instala de modo evidente. somos vigiados, cobrados, temos de seguir rigidamente preceitos sociais e morais. Passamos a imitar os adultos nos seus acertos e erros, somos duramente criticados. Às vezes continuamos superprotegidos como a moça que nem sequer lavava as próprias calcinhas porque a mãe não queria que ela estragasse suas mãozinhas de fada; ou o rapaz descolado que toma emprestado o carrão do pai militar todo final de semana e sai atropelando os faróis, pensando que é dono da rua. Sem dúvida, isso nos torna adultos mimados, irresponsáveis e alienados. Mais cedo ou mais tarde, porém, vamos ter de viver a nossa vida, fluir através dela, tomar decisões e criar seus rumos. E, se nos faltam nossos super protetores, é como se o mundo ruísse aos nossos pés impiedosamente.

Na idade adulta, também evidenciamos características dos tipicamente dependentes nas mais diversas situações. Gente sem nenhuma iniciativa, que precisa sempre consultar o chefe ou o pai. maridos que precisam de aprovação da esposa para tomar uma cervejinha com os amigos, senão é o fim do mundo. Mulheres monitoradas pelos parceiros que insistem em saber como, quando, onde e com quem elas passaram a tarde inteira. Filhos que se escondem no colo da mãe quando vão a uma festa infantil e não há nenhuma criança conhecida. Pais que não largam dos filhos nessas mesmas festas porque são incapazes de manter uma conversa inteligente por mais de cinco minutos com um adulto jamais visto. Namorado que não larga a mão da namorada....enfim uma lista interminável de casos...

Criar dependência ou ser dependente de algo ou alguém são hábitos igualmente nocivos, vícios incontroláveis e destrutivos. A exemplo do drogado, do alcoólatra, nosso "carente profissional" se recusa a assumir sua impotência no comando de seu próprio destino. "Posso voltar a trabalhar fora quando quiser", anuncia a esposa que largou a carreira para administrar lar e filhos, já que o marido ganha bem.Como posso deixá-lo, vou viver de que? Como se o papel de esposa lhes garantisse um emprego vitalício, ainda que não haja amor, companheirismo ou desejo,

Há pessoas que passam a vida se apoiando, saltando e galho em galho, mas sempre à procura de um ombro em que se pendurar. Homens que saem do domínio de pais autoritários e superprotetores para cair nas garrar de uma mulher igualmente forte e dominadora; mulheres que mudam de dono, deixando que os pais escolham sua carreira e que os maridos as impeçam de exercê-la.

O ser humano não é naturalmente dependente; apenas, como qualquer outro animal, nasce dependente. Instintivamente, sua tendência é de proteger-se, e talvez recorra a algo ou alguém para isso. Mas há tempo de manter essas defesas e há tempo de pô-las de lado. Todas as respostas estão dentro de você, ninguém poderá fazê-lo, a não ser você mesma.

Talvez nos pareça difícil aceitar como guias apenas nossa força interior e nossa convicção, quando sabemos que as crenças que povoam todo o acervo de informações e de verdades contidas em nossa mente são apenas ilusões, e como tais possíveis de transformações a todo momento, assumindo as mais variadas formas e conteúdos. Essa é apenas uma das desculpas para que fujamos àquilo que aprendemos a chamar de responsabilidade.

Em vez de carga, a atitude responsável acarreta alívio; em vez de dependência, gera assertividade e auto-estima. Sem dúvida não lhe compete mudar o mundo, mas só você é capaz de mudar você mesmo.

Espero que lendo este artigo sintam-se com uma vontade incontrolável de, pela primeira vez, deixar a comodidade do ninho e tomar nas mãos as rédeas do seu destino. Que deixe de lado a condição antiga de menina desprezada e a atual de esposa mimada. Que desperte dentro de si aquela coragem latente para dar o primeiro, definitivo e mais importante passo de sua vida, ruma a libertação. Sei que esta coleção de parágrafos sobre o tema está longe de ser suficiente para tal transformação; mas tenho certeza de que é uma provocação sadia, um desafio aceitável.

(texto baseado no artigo da jornalista Regina M. Azevedo)
   

quarta-feira, 1 de julho de 2015

cont. busca de solução

Continuação do texto: BUSCA DE SOLUÇÃO PARA O SUCESSO


Espero que tenham conseguido refletir sobre estes contrastes e conflitos, identificando com alguns ou para seu(a) parceiro(a), amigo(a), filho(a), etc.
Agora, eu o convido a ter em mente tanto as suas necessidades e os desafios exclusivos. À medida que fizer isso, você encontrará soluções e orientações. Você também descobrirá que o contraste entre a abordagem da cultura popular e a abordagem atemporal, que contém princípios de todas as eras, se tornará cada vez mais evidente.

Falta de equilibrio na vida: A vida na nossa sociedade do telefone celular está cada vez mais complexa, exigente, estressante e completamente exaustiva. O problema não é o nosso trabalho, que é mecanismo sustentador da vida. Tampouco é a complexidade ou a mudança. O problema é que a nossa cultura moderna diz:" Chegue mais cedo, trabalhe até mais tarde, seja mais eficiente, sacrifique-se no momento."No entanto, a verdade é que o equilibrio e a paz  de espirito não são produzidos por essas condições; eles acompanham a pessoa que desenvolve uma noção clara das suas prioridades mais elevadas e que vive voltada para elas com ênfase e integridade. 

O que eu vou lucrar com isto? A nossa cultura nos ensina que, se quisermos conquistar algo na vida, temos de colocar os nossos interesses em primeiro lugar. Ela diz: A vida é um jogo, uma corrida, uma competição, e é melhor que você vença". os colegas de escola, de trabalho e até mesmo a familia são vistos como competidores; quanto mais eles ganham, menos resta para nós. Claro que tentamos parecer generosos e torcer pelo sucesso dos outros, mas, no íntimo, secretamente, muitos de nós nos roemos de inveja quando os outros são bem-sucedidos. No entanto, as maiores oportunidades e realizações ilimitadas da Era do Profissional do Conhecimento estão reservadas para aqueles que dominam a arte de "nós". A verdadeira grandeza será alcançada por meio da mente abundante que trabalha de maneira altruista, com respeito mútuo, visando ao benefício mútuo.

A ânsia de ser compreendido : Poucas necessidades do coração humano são maiores do que a necessidade de ser compreendido, de ter uma voz que seja ouvida, respeitada e valorizada, de ter influência. A maioria das pessoas acredita que o segredo da influência é a comunicação, fazer-se compreendido e falar de modo persuasivo. Na verdade, se você pensar a respeito, você já percebeu que, enquanto outras pessoas estão falando com você, em vez de realmente prestar atenção para tentar entender, você frequentemente se ocupa preparando a sua resposta? A influencia realmente começa quando os outros sentem que você está sendo influenciado por eles, quando eles percebem que você os entende, que você os escutou profunda e sinceramente, e que você está receptivo.No entanto, quase todas as pessoas são excessivamente vulneráveis emocionalmente para ouvir profundamente, para interromper o seu programa por tempo suficiente para se concentrarem em entender antes de comunicar as próprias idéias. A nossa cultura clama, até mesmo exige, o entendimento e a influencia. No entanto, o princípio da influência é governado pelo entendimento mútuo nascido do empenho de pelo menos uma pessoa, no sentido de ouvir primeiro profundamente.

O conflito e as diferenças: As pessoas têm muitas características em comum, mas ao mesmo tempo são magnificamente diferentes. Elas pensam de um modo diferente; elas possuem valores, motivações e objetivos diferentes e, às vezes, competitivos. os conflitos surgem naturalmente dessas diferenças. A abordagem competitiva da sociedade para resolver o conflito e as diferenças tende a se concentrar em "ganhar o mais que você puder". Embora muito de bom tenha surgido da habilidosa arte da concessão, quando ambos os lados cedem nas suas posições até que um ponto intermediário aceitável seja alcançado, nenhum dos lados termina verdadeiramente satisfeito. Que desperdicio permitir que as diferenças conduzam as pessoas ao mínimo denominador comum entre elas! Que desperdício deixar de pôr em ação o principio da cooperação criativa para desenvolver soluções melhores do que a idéias original de cada parte para os problemas!

Estagnação pessoal : A natureza humana é quadridimensional: corpo, mente, coração e espírito.

Quanto melhor nos tornamos, a natureza do desafio muda, exatamente como acontece no esqui no golfe, no tênis ou em qualquer esporte.

texto baseado no livro "Os 7 hábitos das pessoas altamente eficazes" - Stephen R. Covey

quinta-feira, 21 de maio de 2015

Busca de solução para o sucesso

 Princípios (nossa essência) x práticas e idéias comuns da cultura popular

A maneira como aplicamos um princípio varia enormemente e será determinada por nossos talentos, determinação e criatividade, mas, em última análise, o sucesso em qualquer empreendimento sempre resulta do fato de agirmos em harmonia com os princípios aos quais o sucesso está vinculado.

Muitas pessoas não pensam dessa maneira, pelo menos conscientemente. Na verdade, você descobrirá cada vez mais que as soluções baseadas nos princípios formam um nítido contraste com as práticas e as idéias comuns da nossa cultura popular.

Alguns contrastes dos desafios humanos mais comuns que enfrentamos:

- O medo e a insegurança - Hoje em dia, um grande número de pessoas é dominado por uma sensação de medo. Elas temem o futuro. Sentem-se vulneráveis no local de trabalho. receiam perder o emprego e a capacidade de prover a subsistência da família. Essa vulnerabilidade frequentemente estimula as pessoas a levarem uma vida que não contém riscos e sem co-dependência com os colegas de trabalho e os familiares. A resposta comum das pessoas da nossa cultura a esse problema é tornar-se cada vez mais independente. "Vou me concentrar em mim e no que é meu". vou fazer muito bem o meu trabalho e depois me entregar à minha verdadeira alegria fora do trabalho". A independência envolve um valor e uma realização importantes e até mesmo vitais. O problema é que vivemos em uma realidade INTERDEPENDENTE, e as nossas realizações mais importantes  requerem habilidades de interdependência que estão bem além das que possuímos atualmente.

- Quero isso agora - As pessoas querem as coisas e as querem agora. "Quero dinheiro. Quero uma casa grande e confortável, um carro bonito, o maior e o melhor centro de entretenimento. Quero tudo isso porque mereço". Embora a sociedade atual do "cartão de crédito" torne fácil receber agora e pagar depois, as realidades econômicas finalmente se manifestam e somos lembrados, às vezes de maneira dolorosa, que as nossas aquisições não podem superar nossa capacidade contínua de produzir. A necessidade de produzir hoje é a realidade atual e representa as demandas de capital, mas o verdadeiro mantra do sucesso é a SUSTENTABILIDADE e o CRESCIMENTO. Você pode ser capaz de satisfazer os seus valores trimestrais, mas a verdadeira pergunta é se você está fazendo o investimento necessário para sustentar e aumentar esse sucesso daqui a um, cinco e dez anos. A nossa cultura clamam por resultados hoje, mas o princípio de EQUILIBRAR as necessidades de satisfazer ás demandas de hoje e de investir nos recursos que produzirão o sucesso de amanhã é inevitável. |O mesmo é verdadeiro com relação á sua saúde, ao seu casamento, aos seus relacionamentos familiares e às necessidades da sua comunidade.

- A culpa e a condição de vítima - Onde quer que você encontre um problema, você geralmente encontra o dedo acusatório da culpa. A sociedade está viciada em bancar a vítima. "Se ao menos o meu chefe não fosse um idiota tão controlador...Se ao menos eu não tivesse nascido tão pobre...Se ao menos eu morasse num lugar melhor...Se ao menos eu não tivesse herdado o temperamento do meu pai....Se ao menos os meus filhos não fossem tão rebeldes....Se ao menos o outro departamento não bagunçasse as ordens o tempo todo...Se ao menos o nosso povo não fosse tão preguiçoso e desmotivado....se ao menos a minha mulher fosse mais compreensiva... Se ao menos... Se ao menos." Culpar a todos e a tudo pelos nossos problemas e desafios pode ser uma norma e talvez alivie temporariamente a dor, mas também nos acorrenta a esses problemas. Seja suficientemente humilde para aceitar e assumir a responsabilidade pelas suas circunstâncias e corajosa o bastante para tomar qualquer iniciativa necessária para criativamente atravessar ou contornar esses desafios, e terá o supremo poder da escolha.

- Desesperança - os filhos da culpa são o ceticismo e a desesperança. Quando nos permitimos acreditar que somos vítimas das nossas circunstâncias e cedemos ao problema do determinismo, perdemos a esperança e a motivação e nos acomodamos à resignação e à estagnação. "Sou um joguete, um fantoche, um dente de engrenagem, e não há nada que eu possa fazer a respeito. simplesmente diga-me o que fazer". Muitas pessoas brilhantes e talentosas sentem-se assim e sofrem o amplo leque de desânimo e depressão que se segue. A reação de sobrevivência da cultura popular é o ceticismo: "Simplesmente reduza as suas expectativas na vida a ponto de não ser desapontado por ninguém ou por nada." O princípio contrastante de crescimento e esperança ao longo da história é a descoberta: EU SOU A FORÇA CRIATIVA DA MINHA VIDA.

Hoje mostrarei apenas estes contrastes e conflitos para poderem absorver e refletir, mas tem mais...vamos nos tornar conscientes de nossos comportamentos, encarar de frente, para modificá-los.

(baseado no livro de Stephen R. Covey - Os 7 hábitos das pessoas altamente eficazes)


segunda-feira, 11 de maio de 2015

Quero ter filhos, mas....


Algumas esferas da vida são demasiadamente importantes e requerem consciência, maturidade e atitudes presentes. Uma delas é a maternidade e para adquirir essa condição de mãe, três itens são relevantes: saúde física, saúde mental e a escolha do parceiro.

Antes de tudo, a mulher tem que querer e desejar ser mãe. O que anda acontecendo é que muitas dessas mulheres que "querem" ter filhos estão adiando cada vez mais para ficarem grávidas, é compreensível por um lado, pois a mulher hoje é vista como independente, segura, convicta de seus direitos e deveres, com motivações e desejos próprios supostamente consciente dessa liberdade, que lhe permite guiar e modificar seu futuro, desde escolhas simples como ir e vir, até mesmo decisões definitivas importantes como trabalhar, estudar, casar ou não, ou ainda se está ou não preparada para ser mãe.

Por outro lado muitas demoram para atingir a maturidade emocional, que é quando se torna competente para lidar com as dificuldades da vida, quando desenvolve uma boa tolerância ás inevitáveis frustrações e contrariedades a que todos nós estamos sujeitos. Pessoas maduras também se aborrecem com as frustrações, mas não "descarrega" sua raiva sobre o terceiro que nada tem a ver com o que lhe ocorreu, enfim, pessoas maduras adquirem uma capacidade de tomar conta da própria vida, de responsabilizar-se por si mesma e por aqueles que precisam dela, sem esquecer de preservar seu lado criança e adolescente da vida, para manter o equilíbrio emocional, pois é este lado , que irá nos oferecer a capacidade de aprender sempre, de nos adaptar a novas situações, de estar abertos a novidade e a um mundo de descobertas.

Não está aqui em discussão se é melhor para a mulher ter filhos ou não antes dos 35 anos, pois como muitas pesquisas apontam, na parte emocional, psicológica da mulher, existem muitas vantagens, tipo: aceitação do bebe como uma pessoa separada dela e com características próprias; normalmente já está  numa fase financeira mais estável, poderá se dedicar melhor ao filho; estando com mais experiência de vida, deveria estar com mais maturidade emocional, consequentemente seria menos ansiosa, menos controladora, mais paciente e com mais compreensão.


Infelizmente o que se tem notado é que como estão demorando mais para atingir esta maturidade emocional, de não conseguirem deixar a eterna "adolescência", com pouca responsabilidade, nada que gere comprometimento a longo prazo, sem grandes renúncias, eles vão adiando para serem pais, com um discurso na ponta da língua, tipo: depois disso ou daquilo, da viagem ao exterior, de alcançar um cargo maior, depois que me cansar de sair com amigos, etc, etc, esquecendo o principal, ter filhos é uma questão natural, pois vem da natureza, e amadurecer também, é só seguir as etapas da vida, sem querer ficar parado em nenhuma, por mais gostosa que tenha sido, a outra etapa também vai ser, só que diferente.

Amadurecer causa sofrimento sim, não podemos negar, mas também traz uma grande satisfação, quando estamos tomando nossa vida com "nossas próprias mãos".

domingo, 29 de março de 2015

A fruta cai no chão para gerar uma nova árvore

Depois que amadurece, a fruta não fica na árvore. Em pouco tempo, ela se desprende do galho e cai. o I Ching - o livro das mutações, ao abordar esse fenômeno da natureza, fala de uma "conexão entre decomposição e a ressurreição" e diz que "é preciso que o fruto apodreça antes que a semente nova possa se desenvolver". Ao se desintegrar, a fruta faz que as sementes entrem em contato com o solo e proporciona o surgimento de novas árvores. A desintegração é apenas uma das fases de um ciclo maior.

Nós, seres humanos, temos tendência a resistir á idéias de mutação, impermanência, término e desintegração. Queremos que as coisas durem para sempre, que nunca mudem. A busca pela constância e pela segurança é natural e, sem dúvida, precismos que a vida tenha certa estabilidade para conseguirmos concretizar nossos projetos de vida. Quando vivemos sem estabilidade, de maneira inquieta e oscilante, com mudanças constantes e bruscas, nos desgastamos demais para que possamos nos adaptar ás novas situações. Com o desgaste, ficamos sem recursos interiores para realizar as coisas mais importantes da vida. Por esse aspecto, a estabilidade é uma necessidade natural e é compreensível que se procure constância e permanência.

Mas tudo na vida tem ciclos e precisamos estar atentos ás exigências do tempo. Como diz o homem do campo"existe tempo para plantar e tempo para colher". Há um tempo certo para a fruta crescer e amadurecer. E, naturalmente, existe um momento em que a fruta se desintegra. Para os sábios chineses, a decomposição da fruta representa a conclusão de uma fase e o início de uma nova etapa da vida da árvore. O apodrecimento da fruta não significa término de tudo, mas uma transformação necessária para que o novo surja. É essa transformação que permite que a vida se renove e se perpetue. No pensamento oriental, essa regra vale tanto para a árvore quanto para o ser humano.

Não temos plena compreensão do que são os ciclos naturais quando se trata da nossa própria vida. Muitas vezes, mantemos determinada situação por apego, hábito, teimosia, dependência, comodismo ou medo de arriscar e mudar. Em muitos casos, agimos como se fôssemos uma fruta madura que não quer se desprender da árvore. Resistimos á idéia de nos lançar no ar por receio de nos machucarmos com a queda. Ficar na árvore é mais seguro e desgarrar-se do galho nos parece perigoso. Contudo, não existe nada nesta vida que seja 100% seguro nem coisa alguma que não envolva risco ou perigo. E, querendo ou não, em algum momento teremos de estar prontos para nos desapegar de situações, coisas e pessoas para poder nos transformar e desenvolver.

texto do livro: "A sabedoria da natureza" - Roberto Otsu

quarta-feira, 25 de março de 2015

Disciplina e auto-estima

A palavra "disciplina" carrega em si um ranço de autoritarismo e de falta de diálogo, que era comum no comportamento das gerações anteriores. Os pais dos adolescentes e das crianças de hoje sentem até um certo mal-estar diante dessa palavra, a ponto de praticamente a banirem da educação dos filhos. É difícil dar nova noção a uma palavra cujo significado já está consagrado.

Em linhas gerais, disciplina é o conjunto de regras éticas utilizadas para atingir um objetivo ou um resultado com menos recursos e em menos tempo. Portanto, disciplina é competência e qualidade de vida. A ética é entendida, aqui, como o critério, qualitativo do comportamento humano que envolve e preserva o respeito ao bem-estar biopsicossocial.

Um dos mais importantes motivos para os pais tentarem delegar a educação dos filhos à escola é preferirem omitir-se do que errar com os filhos. Os pais contemporâneos perderam suas referências educativas, pois o que eles viveram quando crianças não serve mais, e ainda não adquiriram novos recursos para educar estas "criancinhas" tão independentes, cheias de argumentos, alta prontidão nas respostas e reivindicadoras com fortes enfrentamentos.

Na infância, a auto-estima fundamental é alimentada toda vez que uma criança realiza algo e isso pode ser dimensionado. Porém, ser aplaudida ou elogiada quando ela própria sabe que não merece distorce essa auto-estima.

Vamos entender isso melhor: auto-estima é o sentimento que faz com que a pessoa goste de si mesma, aprecie o que faz e aprove suas atitudes. Trata-se de um dos mais importantes ingredientes do comportamento humano - é um item fundamental para estabelecer a disciplina. Pode ser essencial ou fundamental. A essencial é a que a criança recebe dos seus pais assim que nasce, simplesmente porque nasceu, porque é seu filho (supondo que todos pais sejam normais, todas crianças tem essa auto-estima essencial); a fundamental é conquistada quando uma pessoa é bem sucedida nas suas pretensões; quando ela própria aprecia algo que realizou e fica feliz com o que fez.

Quando os pais fazem tudo pelo filho, mesmo o que ele próprio é capaz de fazer, estão prejudicando essa auto-estima. O primeiro prejuízo é dele mesmo, por não ter realizado aquilo de que era capaz.porém, o prejuízo maior decorre da evolução desse processo, pois, não fazendo, ele acaba perdendo a capacidade de fazer, piorando muito sua auto-estima.

Quanto melhor for a auto-estima fundamental, tanto mais a pessoa se torna disciplinada. Por sua vez, a disciplina aumenta a auto-estima. Nutre-se, desse modo, este ciclo disciplina-auto-estima.
   

quarta-feira, 18 de março de 2015

Porque algumas pessoas se relacionam de forma doentia?

Amor, pode ser compreendido como o sentimento básico e necessário para o existir de qualquer individuo. Ele assume características universais (sentimento de união entre um grupo/povo) e singulares (laços de amor dentro de uma família). Neste texto, vamos destacar o vínculo amoroso entre duas pessoas, o casal, seja hétero, homossexual, e que assume características paradoxais, entende-se, o amor que leva à dor, ao sofrimento e até à morte passional de um dos parceiros, agregando um grau de patologia à relação. o que levaria os amantes a essa situação ou quais as causas desse tipo de amar?  A resposta para tão importante questão inicia-se pela discriminação entre causas internas - ligadas às características de personalidade de cada cônjuge e às influências externas e aos modelos das famílias de origem de cada um - e fatores sociais e econômicos associados á vida atual.

Para aprofundar o entendimento dos aspectos intrínsecos ao modo de se relacionar, temos que deter nossa atenção às motivações conscientes e inconscientes para escolha dos parceiros. As motivações conscientes são, no geral, aquelas denominações mais comuns que encontramos nos apaixonados: atração envolvendo aparência física e características de personalidade, admiração por o que o outro é e, ás  vezes, pelo status social que ocupa. 

Paixão, envolve um processo de idealização do outro, cujo mecanismo, muitas vezes, constitui-se numa projeção maciça de um sobre o outro, dificultando a percepção real do parceiro = a - 1 + 1 = 1.- amor fusional. Ex: moça superprotegida pelos avós e mãe, para suprir a falta do pai, se apaixonada por um rapaz protetor e carinhoso, onde não permite que ela faça nada sozinha ou sem avisá-lo. Inicialmente, ela interpreta essa atitude ciumenta sendo amor por ela, com o tempo ele vai cerceando e controlando cada vez mais a vida dela, onde ele se defende dizendo que a ama muito e por isso não suporta vê-la se relacionando com ninguém, onde ele está propondo um pacto inconsciente de torná-la um prolongamento seu.

Na maioria das vezes, a convivência mútua ao longo do tempo vai sobrepondo o EU real de cada um e com isso atingimos a des(idealização), que gera como consequência o término da paixão e o inicio de um amor mais maduro( com o respeito às individualidades de cada um) ou, de modo mais drástico, o rompimento da relação("ele/ela não era o que EU pensava").

Quanto às motivações inconscientes para a escolha do par, retomamos a influência dos modelos presentes nas famílias de origem. A escolha amorosa também é determinada por um mecanismo de transmissão psíquica inconsciente cujo material que a compõe pode estar em gerações passadas e ser a causa do estabelecimento dos vínculos patológicos no casal atual - transmissão transgeracional = por atravessar gerações e se impor em estado bruto aos descendentes, possui conteúdos não elaborados, negados, da ordem do segredo ou de algum trauma que, ocorrido numa dada geração é recalcado e surge em geração posterior por meio de sintoma(s) individual ou de patologias na forma de se relacionar. Temos aqui, então, uma das causas do amor patológico, compreendido dentro desse referencial. Ex: mulher cresce em ambiente agressivo, onde presencia pai xingando ou batendo na mãe, pode casar com homem igual ao pai, mesmo que no inicio ele não apresente nenhum sinal de que isso irá acontecer, mas com o tempo de casado pode aparecer este lado no marido.

Embora a sociedade atual pressuponha a igualdade de gêneros, na família e nos relacionamentos amorosos, ainda encontramos a presença dos estereótipos ligados aos papéis masculino/feminino, vistos desde o passado como: homem forte, viril e protetor/mulher frágil, submissa e cuidadora. Mesmo que essa complementaridade acabe ficando a serviço de um amor patológico como nos exemplos comentados acima, em que os parceiros passam a ocupar lugares de vítimas e algoz. Citando a existência de outros pares como so sadomasoquistas por um lado e os indivíduos introvertidos que buscam os extrovertidos por outro, enfatizamos, nessas escolhas, um tipo de amor adesivo que pode levar ao seu reverso - o ódio, ou a uma vivência estagnada, na medida em que esses casamentos/parcerias são difíceis de ser rompidos e não permitem a flexibilidade nos lugares ocupados pelos sujeitos.

texto baseado no artigo da revista: Psicologia