quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Um outro olhar para o consumo do álcool

Aproveitando este término de carnaval, que é muito extravasamento em todos os sentidos, resolvi colocar um texto do autor Rudiger Dalke, estudioso da medicina psicossomática, sobre o que leva uma pessoa, inconscientemente, é lógico, a consumir álcool.

"O álcool é a droga de evasão clássica de nossa sociedade. Justamente onde a propaganda sugere o contrário, é evidente que são especialmente as pessoas que não podem suportar o homem que têm em si em nenhum sentido, porque são muito moles, que tendem à bebida. Enquanto os bebês têm o direito de ficar agarrados à mamadeira, nos adultos o que isso mostra é a dependência e a tendência à regressão, à fuga. os outros sintomas do alcoolismo também acentuam essa tendência : a pessoa cambaleia como uma criança que ainda não aprendeu a andar com segurança, e balbucia, como se ainda não dominasse a fala. O fato de que o álcool seja um forte narcótico evidencia ainda que alguém não quer admitir para si mesmo, e sim encobrir e anestesiar a dor causada pelo fracasso. Essa imagem parece contradizer totalmente aquela mais corriqueira do alcoólico, brutal, durão e excessivamente masculino. Entretanto, essa demonstrações superficiais de masculinidade violenta, bem como de potência ostensiva, não passam de tentativas ofensivas de compensação da própria insegurança e fraqueza. Tampouco deveríamos deixar-nos enganar por tentativas de beber para criar coragem, achando que a covardia é a mãe da cautela, ainda que o todo resulte em uma impotência estéril. É o desejo de se atordoar para não ter de ver a situação em que se está realmente, ou justamente em que não se está."

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