segunda-feira, 27 de julho de 2015

Dependência - Os Carentes Profissionais

 
Assumir a responsabilidade por seu próprio destino é uma das tarefas essenciais em nosso autodesenvolvimento. mas ainda é uma meta assustadora para a grande maioria das pessoas, que preferem escorar-se na família, na igreja e em tantas outras muletas disponíveis. Veja aqui como usá-las sabiamente e, no momento certo, dispensá-las para sempre.


Quando se é criança, depende-se naturalmente dos pais para quase tudo. Na primeira infância, somos de fato, muito dependentes: não podemos escolher nossa alimentação, precisamos de alguém que cuide de nossa saúde e higiene e até mesmo de quem nos ensine a pensar. Mas, por volta dos sete anos, já conseguimos atravessar uma rua sozinho, comprar um sorvete na cantina. Sabemos dizer não quando alguém de quem gostamos nos pede um brinquedo ou um lápis emprestado. Nos vestimos sozinhos, cuidamos pessoalmente do nosso banho diário, devoramos batatas fritas e franzimos o nariz ao espinafre e à beterraba.

É por ai que começa nossa escalada rumo à independência. Cada dia representa um novo desafio, uma nova conquista. Nossas armas? Raciocínio, intuição e muita, muita informação. O inimigo? O desconhecido, tudo aquilo que por ignorância tememos, antes mesmo de saber se é ou não bom para nós.

Durante a adolescência, a confusão se instala de modo evidente. somos vigiados, cobrados, temos de seguir rigidamente preceitos sociais e morais. Passamos a imitar os adultos nos seus acertos e erros, somos duramente criticados. Às vezes continuamos superprotegidos como a moça que nem sequer lavava as próprias calcinhas porque a mãe não queria que ela estragasse suas mãozinhas de fada; ou o rapaz descolado que toma emprestado o carrão do pai militar todo final de semana e sai atropelando os faróis, pensando que é dono da rua. Sem dúvida, isso nos torna adultos mimados, irresponsáveis e alienados. Mais cedo ou mais tarde, porém, vamos ter de viver a nossa vida, fluir através dela, tomar decisões e criar seus rumos. E, se nos faltam nossos super protetores, é como se o mundo ruísse aos nossos pés impiedosamente.

Na idade adulta, também evidenciamos características dos tipicamente dependentes nas mais diversas situações. Gente sem nenhuma iniciativa, que precisa sempre consultar o chefe ou o pai. maridos que precisam de aprovação da esposa para tomar uma cervejinha com os amigos, senão é o fim do mundo. Mulheres monitoradas pelos parceiros que insistem em saber como, quando, onde e com quem elas passaram a tarde inteira. Filhos que se escondem no colo da mãe quando vão a uma festa infantil e não há nenhuma criança conhecida. Pais que não largam dos filhos nessas mesmas festas porque são incapazes de manter uma conversa inteligente por mais de cinco minutos com um adulto jamais visto. Namorado que não larga a mão da namorada....enfim uma lista interminável de casos...

Criar dependência ou ser dependente de algo ou alguém são hábitos igualmente nocivos, vícios incontroláveis e destrutivos. A exemplo do drogado, do alcoólatra, nosso "carente profissional" se recusa a assumir sua impotência no comando de seu próprio destino. "Posso voltar a trabalhar fora quando quiser", anuncia a esposa que largou a carreira para administrar lar e filhos, já que o marido ganha bem.Como posso deixá-lo, vou viver de que? Como se o papel de esposa lhes garantisse um emprego vitalício, ainda que não haja amor, companheirismo ou desejo,

Há pessoas que passam a vida se apoiando, saltando e galho em galho, mas sempre à procura de um ombro em que se pendurar. Homens que saem do domínio de pais autoritários e superprotetores para cair nas garrar de uma mulher igualmente forte e dominadora; mulheres que mudam de dono, deixando que os pais escolham sua carreira e que os maridos as impeçam de exercê-la.

O ser humano não é naturalmente dependente; apenas, como qualquer outro animal, nasce dependente. Instintivamente, sua tendência é de proteger-se, e talvez recorra a algo ou alguém para isso. Mas há tempo de manter essas defesas e há tempo de pô-las de lado. Todas as respostas estão dentro de você, ninguém poderá fazê-lo, a não ser você mesma.

Talvez nos pareça difícil aceitar como guias apenas nossa força interior e nossa convicção, quando sabemos que as crenças que povoam todo o acervo de informações e de verdades contidas em nossa mente são apenas ilusões, e como tais possíveis de transformações a todo momento, assumindo as mais variadas formas e conteúdos. Essa é apenas uma das desculpas para que fujamos àquilo que aprendemos a chamar de responsabilidade.

Em vez de carga, a atitude responsável acarreta alívio; em vez de dependência, gera assertividade e auto-estima. Sem dúvida não lhe compete mudar o mundo, mas só você é capaz de mudar você mesmo.

Espero que lendo este artigo sintam-se com uma vontade incontrolável de, pela primeira vez, deixar a comodidade do ninho e tomar nas mãos as rédeas do seu destino. Que deixe de lado a condição antiga de menina desprezada e a atual de esposa mimada. Que desperte dentro de si aquela coragem latente para dar o primeiro, definitivo e mais importante passo de sua vida, ruma a libertação. Sei que esta coleção de parágrafos sobre o tema está longe de ser suficiente para tal transformação; mas tenho certeza de que é uma provocação sadia, um desafio aceitável.

(texto baseado no artigo da jornalista Regina M. Azevedo)
   

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