terça-feira, 15 de setembro de 2015

Filhos Ansiosos e Depressivos


O que está acontecendo com esta geração que está cada vez mais ansiosa e depressiva?

Até um tempo atrás, a depressão era considerada o mal do século, hoje, segundo o psiquiatra Augusto Cury (autor do livro: Ansiedade - Como enfrentar o mal do século?), é a ansiedade que está sendo considerada. O pior disso é que a ansiedade parece que anda de mãos dadas com a depressão, pois ambas não se vivencia o momento presente como se deve .

"Estamos assistindo ao assassinato coletivo da infância das crianças e da juventude dos adolescentes no mundo todo. Nós alteramos o ritmo de construção dos pensamentos por meio do excesso de estímulos, sejam presentes a todo momento, sejam acesso ilimitado a Smartfones, redes sociais, jogos de videogame ou excesso de tv." diz Augusto Cury. "Eles estão perdendo as habilidades sócio-emocionais mais importantes. De se colocar no lugar do outro, pensar antes de agir, expor e não impor as idéias, aprender a arte de agradecer. É preciso ensiná-los a proteger a emoção para que fiquem livres de transtornos psíquicos. Eles necessitam gerenciar os pensamentos para prevenir a ansiedade. Ter consciência crítica e desenvolver a concentração. aprender a não agir pela reação, no esquema "bateu, levou", e a desenvolver altruísmo e generosidade."

As crianças e adolescentes precisam ser estimulados a se aventurar, a ter contato com a natureza, a contemplar o belo, a fazerem pausas, pois estão viciados em receber muitos estímulos para sentir muito pouco de prazer, resultado: são intolerantes e superficiais, além de estar provocando o aumento de suicídios.

Os pais precisam compartilhar sua dor, seus fracassos, suas dificuldades, cruzar seu mundo com o dos filhos, formando arquivos saudáveis poderosos, ensinando seus filhos a trabalhar dores, perdas e frustrações.

É preciso criar uma intimidade real com os pequenos. A emoção deve ser transmitida na relação. Os pais devem ser os melhores brinquedos dos seus filhos. A nutrição emocional é importante mesmo que não se tenha tempo, o tempo precisa ser qualitativo.

Os pais devem promover mais acertos do que apontam falhas. Os pais tem que amadurecer e não só envelhecer, estar equilibrados emocionalmente. parar de reclamar de tudo e de todos, também não sabem ouvir "não", não sabem trabalhar as perdas. Os pais tem que sempre ser o espelho para seus filhos, desligar o celular no fim de semana, e ser pais. Muitos não conseguem se desconectar de seus Smartphone, como vão ensinar os seus filhos a fazer pausas e contemplar a vida? Se os adultos têm o que se chama síndrome do pensamento acelerado, que é viver sem conseguir aquietar a mente, como vão ajudar seus filhos a diminuírem a ansiedade?

E dividindo as responsabilidades estão as escolas, que também, muitas, precisam mudar, por serem muito cartesianas, ensinam raciocínio e pensamento lógico mas se esquecem das habilidades sócio-emocionais. Criança tem que ter infância. Precisa brincar, e não ficar com uma agenda pré-estabelecida o tempo todo, com aulas variadas. é importante que criem brincadeiras, desenvolvendo a criatividade. Hoje as crianças tem muitas informações desacompanhadas de conhecimento.

Lembre-se: todo excesso é prejudicial, se estão só criticando e constrangendo, estarão criando crianças e adolescentes inseguros, retraídos, sem iniciativas, com dificuldade em empreender; mas se só elogiam, que tudo que fazem ou dizem é lindo e maravilhoso, deixando-os acreditarem que são príncipes e princesas, estarão criando os prepotentes, arrogantes, rebeldes, ambos terão uma não aceitação da vida como ela é, cheia de frustrações e decepções .

(texto baseado no blog contioutra - psicologia e desenvolvimento) 
    

quinta-feira, 10 de setembro de 2015

O Certo da Pessoa e o Errado da Situação

Em cada problema que um casal vive, existe "o errado da situação" e o "certo da pessoa". O errado, evidente, é o comportamento ou sentimento que causa o problema, todo mundo já está vendo. Já o certo é um sentimento de que a pessoa não consegue se dar conta ou não consegue expressá-lo de forma adequada. Exemplo:

Felipe e Marisa estão casados há 30 anos. Ele é um homem metódico e racional e ela uma mulher expansiva, emocional e impulsiva. Nos últimos 5 anos Marisa tem reclamado cada vez mais do marido, queixando-se de que ele nunca diz que a ama, que se preocupa mais com o trabalho do que com ela, que não conversa, que não a valoriza, e muitas outras coisas. Ultimamente, as reclamações de marisa têm se transformado em verdadeiros ataques: ela se descontrola, chora, grita, bate no marido, sai de casa no meio da noite para ficar andando a esmo pelas ruas e, frequentemente, ameaça se matar.

O errado desta situação salta aos olhos, é o comportamento pouco carinhoso do marido e o comportamento enlouquecido da esposa. E o certo desta história onde está? Nos sentimentos. marisa não se sente amada, isto é verdadeiro; Felipe sente que ama marisa do seu jeito, isto é verdadeiro. Por mesmo, "um sentimento certo". As brigas de casal que tratam, à exaustão, dos comportamentos errados precisam se transformar em uma conversa amorosa capaz de focalizar os sentimentos certos. Reconhecer a verdade do sentimento do outro, mesmo não concordando com o comportamento que ele gera, ajuda a desarmar a discussão e abre novos espaços insuspeitos na situação. Felipe não concorda com as crises de Marisa, mas reconhece que de verdade ela não se sente amada. marisa não concorda com a frieza de Felipe, mas reconhece que do ponto de vista dele ele a ama. Este reconhecimento mútuo da verdade do outro coloca a discussão em um outro patamar de disposição para as mudanças na relação.

Além de, eventualmente, conseguir mudar comportamentos, uma boa conversa deve servir para focalizar sentimentos que são sempre certas. O que pode ser considerado certo ou errado são as coisas que as pessoas fazem, mas o que elas sentem é sempre uma verdade para elas, e nesse sentido, estão sempre certas. Você pode pedir para uma pessoa controlar seu comportamento, mas não há como pedir para controlar o que sente. Esse negócio de reconhecer "o certo da pessoa" apesar de discordar do errado do comportamento faz milagre, experimente. Dizer sim para o sentimento e dizer não para o comportamento pode parecer confuso, mas funciona. Já está tendo o início da transformação, da mudança do comportamento e dos sentimentos, porque um estará entendendo o outro, dando importância para que estão sentindo e ai conseguem sentar conversar e resolver a situação.

(texto baseado no livro : O nó e o laço - Alfredo Simonetti)