quarta-feira, 28 de outubro de 2015

Uma visão psicológica do filme: Um divã para dois

 SINOPSE

Kay (Mary Streepe) e Arnold Soames (Tommy Lee Jones) estão casados há 31 anos. O relacionamento entre eles caiu na rotina e há tempos não tem algum tipo de romantismo. O sexo entre eles acabou faz tempo, e cada um segue a sua rotina entediante dia após dia. Eles poderiam continuar assim por mais algumas décadas, mas Kay decide reagir.Querendo mudar a situação Kay agenda para ambos um fim de semana de aconselhamento com o dr. Feld (Steve Carell). O dr. Bernine é um famoso terapeuta de casais que já resolveu muitos casos complicados. Quando Kay finalmente consegue arrastar seu teimoso marido para a terapia, nunca mais nada será como antes, pois dividir o mesmo divã com o marido será mais complicado do que dividir a mesma cama. A surpresa é que as consultas com o terapeuta acabam servindo como um meio de o casal se conhecer novamente, após anos de intimidade.

TRAILLER


UM OLHAR PSICOLÓGICO

Muitos se verão retratados em cenas do filme. Quando falo muitos, não me refiro somente aos casais na mesma situação (muitos anos de casados), mas em relacionamentos de todas as idades. O filme fala do que não é dito, do que está reprimido e, isto ocorre em muitas relações de formas diversas.

O psicoterapeuta de casal, no filme, sério e comprometido com seu trabalho, mostra como pode servir de escada para as questões e soluções dos clientes que possam emergir, No filme, tal qual ocorre no set terapêutico real, o psicoterapeuta tem a função de "provocar" o casal a sair do rascunho  e passar suas vidas a limpo. Não se trata apenas de um intermediário ou conselheiro, mas um profissional que se torna ferramenta para favorecer a ampliação de possibilidade na vida dos clientes. O fato de se perceberem como estão funcionando abre novas opções de escolha, o que possibilita mudanças reais.

O filme acaba por oferecer reflexões diversas em sua proposta. Por exemplo: mostrando o universo feminino, referindo as mulheres de todas as idades, pois além da sexualidade reprimida, muitas mulheres se anulam em outros aspectos quando se apaixonam. Seus objetivos estão sempre, como diz a personagem, focando projetos futuros: casar, ter filhos, educar, formar, etc. E o que dizer das paixões avassaladoras que fazem com que muitas se esqueçam de si, entregando-se à relação ao ponto de, com o tempo, não saberem mais dos próprios gostos? O universo feminino íntimo de uma mulher de meia idade não está muito distante de outras muito mais jovens, então. Sonhar faz parte da vida, mas não podemos perder o momento presente. Pois, quando desistimos de sonhar, o agora se torna incômodo, nos sufocando com falta de movimento. Ela percebe que o seu mundo parou, mas não se acomoda, segue em busca de algo que a faça sonhar outra vez.

Quando o filme toca no universo masculino, nos convida a refletir por situações tão comuns a eles. Na trama, o maridão acomodado e durão resiste as investidas da esposa. Arnold se conforma com  a relação morna e seu cotidiano previsível, de certa forma se nega a olhar para as possíveis questões. Quando percebe a possibilidade de perder o pouco que lhe resta, sente-se ameaçado. Aí sim, tenta aderir à proposta. Entretanto, falar de sua intimidade a um estranho se mostra mais difícil do que poderia prever.Características como teimosia e negação, revelam a dificuldade masculina de lidar com emoções e situações nas quais não tem controle. E cada passo do processo o torna mais propenso a desistir do projeto nova ameça de perda surge, fazendo com que retoma o esforço de tentar outra vez.

No filme mostra como cada um tem idéias diferentes a respeito da situação. Existe o casamento dela, e o casamento dele, e aquele que deveria ser de ambos, em comum acordo. No entanto, a dificuldade de comunicação, a distância afetiva e física já se instaurou, o que parece, a princípio incomodar somente a parte feminina. O terapeuta, então, propõe alguns exercícios que farão com que ambos enfrentem a própria realidade. As perguntas sobre sexualidade surpreende os clientes, que aos poucos vão revelando os desejos reprimidos e a dificuldade de lidar com o tema. o casal "íntimo" transparece o quão estranhos de fatos são. E quando se tornam conscientes, abre-se um caminho para o resgate desse outro que deve ser conquistado. Esse "outro" sai do lugar imóvel na relação, passando a alguém que pode ser perdido, que não se tornou propriedade imóvel com o tempo de contrato matrimonial. O papel do terapeuta é mesmo de provocar o casal a rever seu contrato e avaliar seus desejos mais íntimos, partilhando mais autenticidade.

Sem querer avaliar o trabalho do terapeuta retratado na trama, pois no filme a proposta mostra possíveis passagens do setting terapêutico, o que é diferente de um estudo de caso, mas só retratar a terapia de casal, o filme abre um caminho para que outros casais em crise possam também procurar ajuda profissional.

No geral, o filme alerta para a possibilidade de qualquer relacionamento estacionar no tempo e espaço, transformando a rotina do casal em algo capaz de sufocar a individualidade dos envolvidos. Desejos reprimidos, frustrações matrimoniais, sexualidade, intimidade, distanciamento, comodismo, emoções contidas e outros assuntos são discutidos.

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