terça-feira, 24 de novembro de 2015

Uma visão psicológica do filme: A Ilha do Medo

SINOPSE

1954. Teddy Daniels (Leonardo DiCaprio) investiga o desaparecimento de um paciente no Shutter Island Ashecliffe Hospital, em Boston. No local, ele descobre que os médicos realizam experiências radicais com os pacientes, envolvendo métodos ilegais e anti-éticos. Teddy tenta buscar mais informações, mas enfrenta a resistência dos médicos em lhe fornecer os arquivos que possam permitir que o caso seja aberto. Quando um furacão deixa a ilha sem comunicação, diversos prisioneiros conseguem escapar e tornam a situação ainda mais perigosa.





TRAILER



UM OLHAR PSICOLÓGICO


Procurei passar uma análise do filme sem falar da trama toda, sem mencionar o que levou o protagonista do filme a confundir realidade com fantasia, presente com o passado, para aguçar mais a curiosidade dos leitores e assistirem ao filme, postando comentários e novas percepções do filme. E para quem não conseguir assistir ao filme, a leitura será interessante, pois conhecerá um pouco mais do poder dos traumas na nossa vida.

“A ilha do medo e o paradoxo da razão ilhada pela memória do insuportável”.

Filme de Martin Scorcese, onde mergulha fundo no universo da natureza humana que abriga em seu canto mais escuro o mal e a loucura. Como é difícil transitar nas fronteiras do ser...

Aqui os monstros crescem na sombra da alma humana, e assustam porque nos assaltam de dentro de nós mesmos.

A uma certa altura, o psiquiatra Crawley, ensina que a palavra “trauma” vem do grego e significa “ferida” e que estas podem criar monstros que devemos deter dentro de nós.

Criar o clima de descobertas assustadoras que vão contando uma história sob o prisma do protagonista, Di Caprio, que encena um personagem que vai até uma ilha-presidio, onde se situa um manicômio judiciário. Ele é viúvo, ex militar e policial, em uma importante missão, descobrir o paradeiro de uma paciente que desapareceu. Leva consigo, além da astúcia e coragem de um agente federal, a marca traumática das lembranças dos campos de concentração nazistas, pois que servira no exército durante a 2ª guerra mundial. Essa lembrança o atormenta fortemente, misturando-se fragmentos de sonhos, visões e memórias de experiências.

O delírio do protagonista vai sendo desmantelado a força, por meio de confronto  compulsivo com “dados de realidades” – fotos- nomes- noções de tempo e espaço – revelações de identidades. A lucidez vai se produzindo como um efeito da eficácia do método terapêutico. O tratamento desconstrói a defesa psíquica delirante do personagem, obrigando-o a se defrontar com os vestígios mnêmicos de seu ato homicida.

Uma vez recuperada a memória do evento traumático, Teddy passa a culpar-se terrivelmente e se sentir um monstro.

Qual a serventia dessa lucidez, afinal?
Em sua loucura e parcial amnésia, o personagem tinha um ideal pelo qual lutar. Não era um monstro, mas um herói em potencial, disposto a salvar vidas.

E quando, já perto do fim, ele já está supostamente “curado” da psicose, somos jogados numa ambiguidade de compreensões que, mais do que serviu para nos confundir, serve para nos apresentar o desfecho do filme como um paradoxo da razão ilhada pela memória do insuportável.

Na brincadeira de retomar o delírio, via jogo de encenação, ele acaba fazendo uma escolha ética: livrar-se do peso insuportável da culpa e da dor, ainda que para isso tivesse que perder a própria capacidade de escolha.

Eis o paradoxo: seu gesto mais lúcido foi entregar a própria lucidez de bandeja. Afinal este não lhe serviria mais para nada, muito menos para sobreviver à corrosiva e dilacerante dor de existir atravessado pela culpa, pelo horror e pela solidão.

O que é menos pior: (sobre)viver como um monstro ou escolher morrer como um homem bom?

O que pode restar de humano após uma lobotomia? Nada, a não ser o testemunho daqueles que , minutos antes da escolha, puderam perceber a motivação legítima desta escolha como meio de escapar de uma outra prisão: a culpa.

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