quinta-feira, 5 de novembro de 2015

O Bruxismo

Nos últimos anos tem-se observado um número cada vez maior de estudos que integram a psicologia e a odontologia. Neste campo, começam a surgir trabalhos sobre os aspectos psicológicos associados ás diversas disfunções que abrangem a região craniomandibular. Estudos como o que se realizam com pacientes com dor temporomandibular (SERRALTA et al.2001) revelam que sintomas psicológicos, com frequência, estão relacionados aos transtornos da esfera orofacial e apontam para a necessidade do odontólogo encaminhar, se necessário, o paciente a um psicólogo para efetuar tratamento combinado
Também OKINO et al. (1990) ressalta que a maioria dos pacientes com disfunções na articulação temporomandibular necessitam atendimentos psicológicos especializados, devido a alta interferência do estresse na sintomatologia apresentada.
Como salienta SEGER et al. (1998) ainda que possa alertar para uma oclusão anormal, o bruxismo é, muitas vezes, uma expressão do estresse mental, da agressividade e ansiedade, dentre outros fatores psicológicos.
Também MOLINA (1998) afirma que estudos têm revelado que pacientes com bruxismo possuem uma personalidade agressiva, ansiosa e tensa, provavelmente devido a emoções reprimidas em períodos iniciante da vida.
A boca é nossa primeira zona erógena, nosso primeiro modo de contato real com o meio, é através dela que registramos gratificações e penalizamos nos nossos primeiros anos de vida, sendo uma eterna zona erógena e representativa de obter e dar prazer ou desprazer.
Percebe-se, portanto, que a região bucal, por constituir a primeira zona de estimulação e excitação sensorial, fonte primária de experiências de prazer, frustração e dor, ocupe um lugar privilegiado na expressão dos afetos, constituição do caráter e determinação dos hábitos de vida dos indivíduos (por exemplo: roer unha, fumar, morder objetos, etc, constituem resquícios, fixações desse modo primitivo de satisfação).
O bruxismo diz respeito ao desgaste ou ranger dos dentes, que segundo PAIVA et al. (1997) não tem um propósito funcional e pode ter inicio precoce ou tardio. É um apertamento involuntário dos dentes que, associado aos movimentos mandibulares laterais e protusivos, resulta no rangido e desgaste dos dentes. Seria um hábito frequente associado ao estresse emocional ou fadiga.

Morder é uma atividade bastante agressiva, a expressão da capacidade de cuidar de nós mesmos, de enfrentar os fatos e de “agarrar as coisas com os dentes”. Assim como um cão arreganha os dentes a fim de deixar claro o quanto pode ser perigoso e agressivo, também falamos de “mostrar os dentes a alguém” querendo dizer com isso que tomamos uma resolução, que defenderemos nosso ponto de vista.
De modo geral, o bruxismo é considerado uma disfunção psicossomática multifatorial, causada tanto pela oclusão anormal como por fatores psicológicos: tensão emocional, agressão reprimida, ansiedade, raiva, medo, frustrações e estresse.

Sintomas: Dor disfuncional muscular da articulação (ATM); dores de cabeça, podendo até atingir o ouvido, tonturas, dor muscular facial relacionados aos músculos mastigatório, restrição na abertura da boca, dor generalizada, estalidos, travamento nas articulações.

Tratamentos: A forma mais empregada para o alívio é a utilização de placas interoclusais miorrelaxantes, que não chegam na causa, com isso, muitos odontólogos acreditam não haver cura. Mas se tratarmos o indivíduo como um todos, que tudo está interligados, conseguiremos chegar a cura ou pelo menos na diminuição significativa dos sintomas para uma boa qualidade de vida. Ações multidisciplinares, especialistas da área da saúde que tendem a enxergar o paciente como um todo: odontólogo, psicólogo, fonodiólogo, fisioterapeuta, além das terapias alternativas: acupuntura, hipnose, florais, yoga, etc....


Texto baseado no livro: A doença como caminho, jornal brasileiro de oclusão, ATM e dor orofacial; monografia apresentada à Associação Brasileira de odontologia.

    

Nenhum comentário:

Postar um comentário