sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

TDHA - Medicalização? Uma parada para reflexão.


Até o final da década de 90, a sigla TDHA, do transtorno do déficit de atenção com hiperatividade, era pouco conhecida fora da área da saúde, e drogas como metilfenidato (ritalina) raramente eram prescritas. em cerca de duas décadas, o termo entro para o vocabulário corriqueiro de pais, professores e qualquer profissional que trabalha com crianças. Para constatar como ficou popular este medicamento, só no Brasil, cresceu 775% entre 2003 e 2012, segundo levantamento do Instituto de Medicina Social da Universidade Estadual do rio de janeiro.

O psiquiatra, Allen Frances, autor do livro "Saving Normal" lançamento previsto pra março no Brasil, - destaca que todos os distúrbios neurológicos afetam a concentração e muitos promovem hiperatividade. alguns bastante  comuns e infelizmente deixam de ser identificados com uma frequência lastimável, mascarados pelo popular disgnóstico de "Déficit de atenção". Entre eles estão os transtornos de aprendizagem - como dislexia -, que poderiam ser trabalhados com estímulos e metodologia adequados para resultados seguros, eficazes e definitivos.

Outra ótima evidência de como a inadequação ás exigências acadêmicas muitas vezes é respondida com distração e hiperatividade está na alta incidência de TDHA entre crianças mais novas da sala. Frances revela em seu livro que um estudo canadense envolvendo cerca de 940 mil crianças, concluído em 2012, constatou que meninas nascidas mais perto da data de corte de cada nível escolar(que no Brasil seriam as crianças de final de ano) apresentavam 77% mais chances de serem medicadas com estimulantes, e entre meninos este índice aumentavam em 41%. "É ridículo tornar a imaturidade na infância uma doença e medicá-la," lamenta.

Para se certificar se o uso das drogas para déficit de atenção compensa em longo prazo, uma equipe de 18 pesquisadores, com apoio do Instituto de Saúde mental americano, investigou , no decorrer de 8 anos, o desempenho de 579 crianças diagnosticadas com o transtorno. Publicada em 2009, foi a maior pequisa já realizada com essa finalidade. Concluíram que depois de um ano e meio, mesmo com o aumento contínuo de dose, as crianças medicadas não apresentaram melhor desempenho em nenhum aspecto com relação às que não receberam medicação.

Ter dificuldade de leitura e escrita não mais questiona a escola, o método, as condições de aprendizagem e da escolarização. Mas, sim, busca na criança, em áreas de seu cérebro, em seu comportamento manifesto as causas das dificuldades de leitura, escrita, cálculo e acompanhamento dos conteúdos escolares. Até os questionários preenchidos por professores ou respondidos pelos pais, denominados SNAP-IV, para crianças e adolescentes se mostraram insatisfatórios, por ser de caráter opinativo, são questões que destacam aspectos que ressaltam que determinados comportamentos como os de organização, são sinônimos de atenção, simplificando os aspectos sociais, histórias e culturais, que constituem os comportamentos humanos em seus diversos contextos e situações e que comparecem de forma distinta em diversas faixas etárias, aspectos não considerado no questionário, como também, vale lembrar, a forma de criar os filhos, como impõe os limites, ensinam à disciplina às crianças, como estão aprendendo a enfrentar frustrações, estresse, medos e ansiedades, e, reforçando o que foi dito anteriormente, o quanto estão sendo estimulados em suas aprendizagens nas escolas.
  
texto baseado: revista psique - blog; ensaio de gênero - site.cfp.org.br - campanha "não á medicalização a vida"

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Luto: A dor passa, só fica a saudade

Quando enfrentamos a morte, aprendemos a aproveitar melhor a convivência com a vida.

A única  certeza que se tem é que iremos morrer um dia, mas na nossa cultura não incorpora a morte como parte da vida. Pensa-se nela como castigo. Morte é afastamento, silêncio, nunca mais, mas não é castigo.

Lutamos durante a vida pela ideia da imortalidade, e tentamos negar a possibilidade de perda das pessoas que amamos, e quando isto acontece, abre-se um imenso buraco, e a sensação de vazio invade a alma com muita força. Este é um inicio de um tempo muito difícil, de um tempo de dor, de um tempo de mudanças e transformações por dentro e por fora também. Este é o tempo de luto.

A dor que dói dentro do peito é do tamanho da ligação que se tinha com quem partiu. leva um tempo para nos desligarmos dela. Desligar não é esquecer, é transformar em saudades, lembranças.

A morte marca a alma, entretanto, estamos na vida para sermos transformados a partir das experiencias que o acaso nos propõe, e superamos a perda quando a aceitamos e continuamos.

Há fases no processo de aceitação da morte. A estudiosa Elizabeth Kluber-Ross, autora de vérios livros sobre o tema, alerta que em geral, diante da morte qualquer ser humano passa por 5 estágios: negação, raiva, barganha (negociar com o destino), depressão e aceitação. Esses estágios não necessariamente são subsequentes, podendo estar misturados e serem vividos ao mesmo tempo.

Ninguém sai do luto como entrou. A pessoa amadurece forçosamente e se dá conta de que toda perda não precisa ser total; ela traz sempre algum ganho existencial. O luto significa uma travessia dolorosa, por isso precisa ser cuidado. Não tente impedir o enlutado de sofrer a sua dor, de sentir saudades... ele precisa "dar palavras a sua tristeza porque o pesar que não fala endurece o coração já sofrido" (Shakespeare).

A elaboração do luto é um processo de incorporação da perda e de trabalho sobre o pesar. Quando este pesar não é vivenciado pelo enlutado o luto não é elaborado, portanto a existência (sentido da vida) não é resignificada. (Melo, 2010).

O choro é a maior forma de expressão dos sentimentos e é muito comum. Verbalizar dá espaço para esvaziar os sentimentos e entrar em contato com eles.

Podemos passar pelo luto crônico - quanto mais o tempo passa, pior fica; o luto adiado - a pessoa diz que está bem, não encara o sofrimento, chega até a ficar eufórico, um dia morre o peixinho da irmã da vizinha e ela desabae o luto distorcido - a pessoa aparenta estar bem, mas não está, tem filhos para cuidar, trabalho e não consegue dar conta de tudo, então disfarça.

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Se você tinha um vínculo com a pessoa que morreu você estará num processo de luto, cada um passará de seu jeito, mas não poderá negar que estará de luto, pois o luto  é um processo que se inicia com a morte.

texto baseado nos textos :Clarissa de Franco- psicóloga ; maria Helena Bromberg- psicóloga e criou o laboratório de estudos e intervenções sobre o luto ; site - minha vida- saúde ; ´psicologado